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UFV analisa desafios enfrentados por instituições filantrópicas para idosos em Minas Gerais

04/05/2020

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A UFV realizou um levantamento para identificar os desafios enfrentados pelas Instituições Filantrópicas de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), conhecidas como asilos, diante da pandemia da Covid-19. A análise, que indicou como um dos resultados a urgência de uma agenda pública para as ILPIs mineiras, integra as ações do acordo de cooperação interinstitucional, firmado com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese).

Foram avaliadas 108 instituições, a partir de amostragem estratificada por região, de um total de 406. O levantamento contou com o apoio dos pesquisadores do Grupo de Pesquisas em Espaços Deliberativos e Governança Pública (Gegop), do Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS), e do Grupo de Estudos sobre Envelhecimento, Nutrição e Saúde (Greens).

De acordo com as professoras Simone Martins e Andréia Queiroz Ribeiro, dos departamentos de Administração e Contabilidade (DAD) e Nutrição e Saúde (DNS), respectivamente, e com o coordenador Estadual de Políticas para Pessoa Idosa da Sedese/MG, Rodrigo Marques, líderes da pesquisa, o risco de proliferação da Covid-19 se mostra eminente nas ILPIs.

Eles apontam que essas instituições representam um ponto frágil na sociedade e propício à proliferação da nova doença, por abrigarem as pessoas mais suscetíveis aos sintomas mais graves à contaminação pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que são os idosos. O risco se agrava ainda mais porque nas ILPIs avaliadas foi possível verificar a ausência do estado, evidenciado pela falta de acompanhamento, orientações às instituições para enfrentamento da pandemia e falta de repasse de materiais de proteção, higiene e limpeza e de recursos financeiros.

Com isso, as ILPIs encontram dificuldades para adotar e para custear medidas protetivas essenciais, de forma a atender as recomendações das autoridades sanitárias nacionais e internacionais, em especial as da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Desde que iniciada a situação de pandemia, as ILPIs filantrópicas tiveram a sua rotina alterada, principalmente no que se refere à suspensão das visitas, modificações na alimentação, suspensão de atividades físicas e de entretenimento para os idosos, intensificação da rotina de cuidados, entre outras. Dentre os resultados da pesquisa, foi observado também o agravamento da situação de solidão para os idosos residentes, uma queda brusca das doações e mudanças no clima organizacional onde se instituiu o medo. Somado a isso, o aumento de gastos com alimentação e materiais para limpeza, higienização e segurança dos idosos residentes, dos cuidadores e funcionários tem fragilizado ainda mais estas organizações.

Como indicam os pesquisadores, a pandemia da Covid-19 impôs um novo cenário para estas organizações, que estão tendo que se adaptar a uma nova lógica de funcionamento e lidar com os antigos e novos desafios. Por isso, essas instituições necessitam de apoio urgente para cuidar dos residentes, manter a sua saúde física e mental, proteger os cuidadores e demais funcionários, adotar as medidas de proteção recomendadas e propiciar qualidade de vida aos idosos nesse momento crítico.

Para Simone Martins, “estamos diante de uma bomba relógio, mas parece que ainda há tempo para evitar que o pior aconteça nestas instituições”, tendo em vista que, até o momento de realização do levantamento de dados para a consultoria, nenhum caso de Covid-19 havia sido registrado nas mesmas. “Embora tenham pouca visibilidade e pouco espaço nas agendas públicas, essas instituições oferecem um importante serviço à sociedade brasileira. Portanto, precisamos enxergá-las para que não se acione essa bomba”, destaca a professora do DAD.

Divulgação Institucional – campus Viçosa