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16/02/2026
No ano passado, as notícias publicadas sobre inúmeros casos registrados de intoxicação por metanol, após o consumo de bebidas alcoólicas destiladas em alguns estados do Brasil, chamaram a atenção da equipe coordenada pela professora Maria do Carmo Hespanhol, do Departamento de Química da UFV. As bebidas haviam sido adulteradas com metanol - uma substância altamente tóxica, mas que não tem sabor ou cor. Pelo menos 10 pessoas morreram e outras ficaram cegas. Os casos mostraram a urgência de se criar testes rápidos e acessíveis para identificar as adulterações. Por isso, a equipe de pesquisadores se dedicou a desenvolver um novo método direto, rápido, confiável, portátil e ainda capaz de determinar a presença de teores acima do esperado em álcool combustível e em bebidas destiladas. A nova tecnologia ajuda a acelerar processos de fiscalização e investigação para garantia dos consumidores.
Maria do Carmo Hespanhol é professora do Departamento de QuímicaO método alternativo foi desenvolvido pela professora Maria do Carmo Hespanhol, em parceria com o pesquisador Celio Pasquini, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas. A nova tecnologia utiliza um equipamento portátil, chamado espectrofotômetro infravermelho próximo (NIR), capaz de obter os dados das amostras de bebidas ou de combustíveis. Esses dados são analisados a partir de modelos quimiométricos de regressão, também criados pela equipe de pesquisadores. “A amostra suspeita de conter metanol é analisada pelo espectrofotômetro e, então, o resultado é comparado com os padrões de normalidade e adulterações disponíveis nos modelos que criamos. A configuração instrumental, compacta e de baixo custo, já pode ser adequada para uso de interessados na determinação de metanol”, disse Maria do Carmo.
Os pesquisadores também desenvolveram outros métodos que utilizam o espectrofotômetro infravermelho próximo compacto e de baixo custo para verificar a conformidade de produtos, como adoçantes e até o psyllium, uma fibra solúvel natural amplamente utilizada para melhorar a saúde intestinal, também facilmente falsificada.
Experimento da tecnologia desenvolvida pela UFVO trabalho que envolve a contaminação por metanol, dentre outros, foi publicado na revista científica Analytical Methods e financiado pelo edital CAPES-PROCAD-SPCF. PROCAD - Segurança Pública e Ciências Forenses (SPCF) é um programa de cooperação acadêmica da Capes, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Focado em pesquisa aplicada e formação de alto nível (pós-graduação), visa integrar universidades e órgãos de segurança pública para desenvolver soluções técnicas, científicas e tecnológicas na área.
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