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II Semana do Meio Ambiente da UFV reúne gestores públicos e pesquisadores para debater mudanças climáticas

10/06/2026

O evento oficial da II Semana do Meio Ambiente foi motivo de muita satisfação para a UFV. É que, embora produza muito conhecimento, nem sempre a Universidade consegue mobilizar gestores públicos em debates de interesse coletivo. Desta vez, mais de 250 pessoas — entre elas, representantes de vários municípios da Zona da Mata Mineira — foram ao Centro de Vivência para saber mais sobre o tema mais urgente da atualidade: as mudanças climáticas. O evento, realizado na tarde de terça-feira (9), foi promovido pela Diretoria de Meio Ambiente (DMA) e abordou não apenas o problema, mas as possíveis soluções globais para um desafio global.

Para debater o tema, a DMA convidou pesquisadores de renome internacional, mas com grande capacidade de comunicação com diversos públicos, o que fez render um longo debate sobre os problemas da região de Viçosa.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo, membro ativo da ONU e autor líder de vários relatórios para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mostrou o inegável problema na perspectiva global. Para ele, a indústria internacional do petróleo impediu qualquer acordo razoável que permitisse ao mundo sair da situação de emergência climática que ameaça a humanidade durante a Conferência Mundial do Clima, a COP 30, realizada no Brasil no ano passado. Segundo o pesquisador, o planeta já está quase três graus mais aquecido do que se esperava. Com as atuais emissões de gases do efeito estufa e com compromissos de redução nem sempre cumpridos por alguns países, a tendência é que o planeta supere os quatro graus acima dos valores pré-industriais.

“Não é apenas a sensação de calor. Os impactos afetam a saúde, a produção de alimentos, a energia e geram eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, que já impactam a humanidade. A maioria dos países ainda está bastante atrasada em ações de adaptação para o enfrentamento destes eventos”, disse Paulo Artaxo.

Ele lembrou ainda que o Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças do clima, uma vez que sua economia depende muito da produção agropecuária, além de possuir grandes áreas costeiras expostas ao aumento do nível do mar.

Soluções locais e apoio às prefeituras

Focando em problemas regionais causados pelas mudanças climáticas, o professor Marcos Heil, do Departamento de Engenharia Agrícola da UFV e especialista em clima, citou os eventos extremos ocorridos recentemente no Brasil, como a seca intensa de 2015 e as chuvas intensas ocorridas em Ubá e Juiz de Fora no verão deste ano. Ele lembrou que os eventos estão ficando muito mais comuns e intensos, e a tendência é de piora. “Não temos outra saída além de deixar de emitir gases do efeito estufa e reduzir drasticamente a dependência mundial de combustíveis fósseis, mas não estamos fazendo isso”, disse o professor Marcos.

O caminho possível, segundo ele, é reduzir danos com medidas de adaptação. Neste sentido, o professor citou os bons exemplos dados pela UFV para a região, como as represas que retêm e armazenam a água das chuvas, fundamentais para evitar a escassez hídrica e as inundações. Ele também mencionou os inventários de emissões de gases de efeito estufa e ações de mitigação da própria Universidade, como o plantio de árvores e a autogeração de energia. O professor também lembrou aos prefeitos e secretários dos municípios que a UFV tem diversos especialistas dispostos a ajudá-los em ações de prevenção e adaptação às mudanças climáticas.

Por sua vez, o professor Eduardo Marques, do Departamento de Engenharia Civil, relatou vários exemplos de ações que o grupo coordenado por ele tem feito em parceria com o governo federal para a elaboração de planos de contingência e de redução de riscos. Além do suporte aos municípios, a UFV tem treinado profissionais da defesa civil e formado especialistas nestes temas. “Existem soluções de engenharia que podem prevenir e mitigar esses problemas, aumentando a resiliência das cidades”, lembrou o professor.

Compromisso institucional com a sustentabilidade

Na abertura do evento, o diretor de Meio Ambiente, Ulisses Comini, e a vice-reitora da UFV, Rejane Nascentes, também destacaram as ações da Universidade na promoção de políticas sustentáveis, como a reciclagem de lixo em grandes eventos, como a Semana do Fazendeiro e o plantio de árvores. “Só nesta semana, estamos promovendo 17 eventos sobre sustentabilidade, e fazemos isso incansavelmente durante todo o ano para sensibilizar e mobilizar pessoas para as questões ambientais. A DMA também está sempre disposta a fazer a ponte entre as prefeituras e os especialistas da Universidade”, disse Ulisses.

A vice-reitora também destacou que a criação e o incentivo ao trabalho de uma Diretoria de Meio Ambiente foi uma ação importante da atual administração, que tem colaborado muito com as comunidades local e regional.

A íntegra do evento está disponível no canal da UFV no YouTube.