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Pesquisador da UFV descreve nova espécie de ninfa

18/06/2020

A Rivudiva inma é uma ninfa de inseto da ordem Ephemeroptera

A UFV participou recentemente da descoberta de mais uma espécie animal: a Rivudiva inma, uma ninfa de inseto da ordem Ephemeroptera. Sua descrição, publicada na revista científica Zootaxa, é assinada pelo professor e pesquisador do Departamento de Entomologia Frederico Salles (foto abaixo) e pelos pesquisadores Carolina Nieto, do Instituto de Biodiversidad Neotropical da Argentina, e Paulo Cruz, da Universidade Federal de Rondônia.

A denominação “ninfa” corresponde a uma fase do desenvolvimento dos animais que sofrem metamorfose e, no caso dos insetos da ordem Ephemeroptera, esta é vivida em ambientes aquáticos. A R. inma, de acordo com Frederico, é endêmica do Espírito Santo, tendo sido encontrada apenas em áreas de cascalho de riachos da região da Reserva Biológica Augusto Ruschi, na cidade de Santa Teresa.

É como se mais uma peça do complexo e importante quebra-cabeça que é a diversidade biológica fosse revelada. Além da R. inma participar da ciclagem de nutrientes – se alimentando de algas e matéria orgânica em decomposição e eventualmente servindo de alimento para outros animais –, é possível que, como outras espécies de Ephemeroptera, seja sensível à degradação e sirva de indicador das condições ambientais das áreas onde é encontrada. “Uma espécie é a unidade mais básica e fundamental do que chamamos de biodiversidade”, explica Frederico. Conhecer as espécies que coabitam o planeta, portanto, segundo ele, é o primeiro passo para compreender a variedade e a riqueza do mundo natural, conservá-las e desenvolver ações sustentáveis.

A nova espécie, inclusive, já ajuda a ciência a avaliar o impacto da degradação da vegetação ribeirinha na biodiversidade aquática da região neotropical há anos. Isto mesmo: faz tempo desde que os primeiros exemplares de R. inma foram coletados, mas os pesquisadores acreditavam que eles correspondiam a uma espécie descrita em 1998. Depois de visitar o Instituto de Biodiversidad Neotropical da Argentina e analisar um indivíduo da série-tipo de 1998 depositado lá, o professor pôde comparar as características morfológicas e perceber o ineditismo.

Atualmente, indivíduos da nova espécie, incluindo o holótipo (“exemplar mais importante”, no qual a descrição taxonômica foi baseada), estão depositados no Museu de Entomologia da UFV. Entre suas características mais marcantes estão a presença de cerdas robustas e curtas nas pernas e uma coloração “bem peculiar”, como conta o pesquisador: “permite que ela fique camuflada no ambiente em que vive”. Além disto, a ninfa tem atributos exclusivos, principalmente na morfologia das peças bucais. Tudo reunido em aproximadamente 5 mm de comprimento.

A descrição da R. inma, assim como a da Rivudiva oonirikoperi, publicadas juntamente na Zootaxa, ainda contribuiu com uma reorganização taxonômica: “ao analisarmos o material que estava depositado na instituição da Argentina, pudemos complementar o conhecimento morfológico das espécies descritas no final de década de 1990”.

A Rivudiva inma, agora, também faz parte do grupo de cerca de 130 novas espécies e 10 novos gêneros descritos por Frederico ao longo dos 20 anos nos quais tem estudado taxonomia e sistemática de Ephemeroptera.

Homenagem

O nome da nova espécie homenageia o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), que, além de ter sua sede na cidade de Santa Teresa, tem como missão conservar acervos e disseminar conhecimento nas suas áreas de atuação. “Acreditamos que a conservação desta e de outras espécies da Mata Atlântica será extremamente beneficiada por este Instituto e pelo esforço dos seus pesquisadores e parceiros”, Frederico ressalta.

Uma coincidência que coroou a homenagem, conforme o professor, foi a proximidade da data da publicação na Zootaxa com o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio).

A pesquisa contou com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Divulgação Institucional

Foto: Rodrigo Gonçalves