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Pesquisa inovadora sobre macaúba recebe menção honrosa no Prêmio Capes Tese 2026

16/09/2026

A UFV teve uma pesquisa reconhecida pelo Prêmio Capes de Tese – Edição 2026. O trabalho da pesquisadora Jaqueline Aparecida de Oliveira, orientado pelo professor Olinto Liparini Pereira, no Programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola, recebeu Menção Honrosa na área de Ciências Agrárias I. A premiação reconhece as melhores teses de doutorado defendidas no Brasil ao longo de 2025, levando em conta critérios de originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação e o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato.

A tese Etiologia da podridão radicular e basal do caule da macaúba e potencial de fungos endofíticos radiculares no controle biológico da doença, com ênfase no estudo taxonômico de Dark septate endophytes (DSE) foi desenvolvida em parceria com a empresa S.Oleum. De acordo com o professor Olinto, a pesquisa encontra-se na fronteira entre a ciência básica e a inovação aplicada. "A partir de um problema concreto da cadeia produtiva da macaúba, avançamos para descobertas relacionadas à diversidade de fungos, ao controle biológico e à geração de conhecimento e inovação", disse ele. O trabalho  identificou a Phytophthora palmivora como agente causal da principal doença de mudas de macaúba em viveiros e investigou cerca de 250 fungos endofíticos isolados de raízes de plantas saudáveis, resultando na identificação de três fungos com potencial para controle biológico da doença. Um deles deve gerar uma patente para a UFV.

O futuro promissor da macaúba

Os autores esclareceram que a macaúba é uma cultura que tem despertado interesse por sua elevada capacidade de produção de óleo e por seu potencial para integrar cadeias produtivas relacionadas aos biocombustíveis. Ao mesmo tempo, sua elevada produção de biomassa e suas características agronômicas fazem da espécie uma alternativa de interesse para estratégias relacionadas à sustentabilidade e à transição para sistemas produtivos de menor impacto ambiental.

“O trabalho partiu de um problema concreto da cadeia produtiva da macaúba e avançou para descobertas relacionadas à diversidade de fungos, ao controle biológico e à geração de conhecimento e inovação”, disse Jaqueline. Ela explicou ainda que, ao encontrar potenciais agentes de controle biológico e novas espécies e gêneros de fungos foi possível compreender, na prática, a importância da multidisciplinaridade nas Ciências Agrárias. “A tese ilustra como as áreas da taxonomia de fungos e oomicetos, da etiologia de doenças de plantas e da bioprospecção de microrganismos, quando unidas, podem trazer respostas concretas para tornar os sistemas agrícolas cada vez mais resilientes”.

Ainda segundo o orientador do trabalho, a premiação reforça a urgência de se mapear e compreender a biodiversidade fúngica do ecossistema brasileiro, demonstrando que o estudo taxonômico e funcional de grupos ainda pouco explorados, como os Dark Septate Endophytes (DSE), “é o alicerce indispensável para transformar a riqueza microscópica da microbiota em tecnologias aplicadas, bioinsumos inovadores e patentes voltadas ao desenvolvimento agrícola sustentável”, afirmou o professor Olinto Pereira.

A solenidade de premiação dos vencedores do Prêmio Capes de Tese 2026 está prevista para novembro, em Brasília.

A pesquisa citada nesta matéria está alinhada aos itens 2 ( Fome Zero e Agricultura Sustentável) e 10 (Redução das Desigualdades) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).