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11/02/2026
Neste 11 de fevereiro, Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, uma doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular da UFV estará em Curitiba, entre os finalistas do Prêmio Vozes da Ciência. A iniciativa da Fundação Grupo Boticário estimula descobertas na área de cosméticos com impacto positivo para a sociedade.
Eduarda Costa concorre na categoria Captação de Talentos, com um trabalho que investiga o potencial de um composto presente no óleo essencial de cravo-da-índia para o desenvolvimento de cosméticos voltados à prevenção do envelhecimento da pele.
A premiação tem como tema central os Ciclos Femininos e incentiva a produção de conhecimento que promova o bem-estar feminino, além de contribuir para uma ciência mais inclusiva e diversa. O estudo de Eduarda, orientado pela professora Reggiani Vilela Gonçalves, do Departamento de Biologia Animal, aborda o envelhecimento - um desafio especialmente relevante em um contexto de aumento da expectativa de vida e da busca por envelhecer com saúde -, melhor ainda quando cosméticos e medicamentos associados a esse processo priorizam ativos naturais.
Eduarda Costa (sentada) com sua orientadora, Reggiani Gonçalves
A pesquisa foi motivada pela necessidade de compreender melhor os mecanismos moleculares envolvidos na inflamação, no estresse oxidativo e no envelhecimento cutâneo. Esses processos estão diretamente relacionados a doenças crônicas da pele e ao envelhecimento precoce. “Apesar do amplo uso de compostos naturais na dermatologia e na cosmetologia, ainda existe uma lacuna de conhecimento sobre como essas substâncias atuam em nível celular e tecidual, especialmente na proteção da pele contra agressões ambientais, como a radiação ultravioleta, e no processo de senescência”, explica Eduarda.
Segundo as pesquisadoras, já era conhecido o potencial antioxidante e anti-inflamatório do eugenol, composto presente no óleo essencial de cravo-da-índia. No entanto, havia poucos estudos comparando o eugenol, o bis-eugenol e o óleo essencial como um todo, além da ausência de dados sobre os efeitos do bis-eugenol em modelos mais complexos de pele humana. A inovação do trabalho está justamente na análise integrada desses compostos e no avanço para a avaliação do bis-eugenol em modelos de pele submetidos a estressores relevantes, como radiação UV e, mais recentemente, a senescência cutânea.
Os resultados demonstraram que o bis-eugenol apresenta forte atividade antioxidante e anti-inflamatória. O composto foi capaz de modular vias inflamatórias importantes e proteger estruturas cutâneas frente ao estresse oxidativo. As descobertas abrem caminho para o desenvolvimento de novos produtos dermatológicos e cosméticos com efeitos fotoprotetores, voltados à prevenção do envelhecimento cutâneo e à promoção da saúde da pele. “Estamos avançando no desenvolvimento de novas tecnologias e ativos naturais para a dermatologia e a cosmetologia”, destaca a professora Reggiani.
Para Eduarda, chegar à final de uma premiação que valoriza o uso sustentável da biodiversidade fortalece sua trajetória acadêmica. “Além de ampliar a visibilidade do trabalho desenvolvido na UFV, essa conquista reforça meu compromisso com uma ciência aplicada, interdisciplinar e conectada às demandas da sociedade”, afirma.
Meninas e Mulheres do Laboratório de Patologia Experimental da UFV
Eduarda e a professora Reggiani também compartilham uma trajetória dedicada à valorização da presença feminina na ciência. Há três anos, elas coordenam um projeto voltado à capacitação de alunas do ensino médio na cadeia produtiva de fármacos a partir da biodiversidade brasileira.
A iniciativa vai além da formação técnica: incentiva meninas de escolas públicas a conhecerem o universo científico e a se aproximarem da pesquisa acadêmica. Professores e pesquisadores envolvidos no projeto capacitam estudantes de graduação e pós-graduação em temas relacionados ao desenvolvimento de insumos e fitoterápicos com bioativos de origem natural. Por meio de workshops, palestras e atividades em escolas municipais e estaduais, a equipe apresenta a ciência por trás dos medicamentos produzidos com produtos naturais e seleciona alunas interessadas em participar das pesquisas desenvolvidas na UFV.
“Ver meninas se descobrindo cientistas é uma das experiências mais gratificantes do projeto. Acredito que ampliar o acesso à ciência desde cedo é fundamental para formar pesquisadoras mais confiantes e diversas, capazes de transformar realidades”, conclui Eduarda.
O trabalho de Eduarda Costa contou ainda com a coorientação do professor Robson Teixeira, do Departamento de Química. Parte dele foi desenvolvido no Plants for Human Health Institute, sob orientação do agora professor visitante da UFV Giuseppe Vallachi.
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