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09/10/2026
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Pela primeira vez, oócitos de jumentas do ecótipo nordestino deram origem a embriões produzidos in vitro por meio da técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI). O resultado foi alcançado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a partir de material coletado durante uma visita técnica à Fazenda Jegue Land, centro de ciência e tecnologia voltado aos asininos, localizado no interior da Bahia, que pretende contribuir para o fortalecimento de diferentes segmentos relacionados à criação, incluindo a produção de muares, leite e derivados, além da produção de carne e outros produtos. Segundo a equipe responsável pelo estudo, são os primeiros embriões de asininos desse ecótipo produzidos in vitro no mundo.
Após a coleta na Fazenda, os oócitos foram transportados para o Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), do Departamento de Zootecnia da UFV, onde passaram pelas diferentes etapas da produção in vitro de embriões. Na ICSI, um único espermatozoide é introduzido diretamente no interior do oócito com o auxílio de equipamentos de micromanipulação. A técnica está entre as biotecnologias reprodutivas mais avançadas utilizadas atualmente na reprodução de equídeos.
Nove dias após o início do cultivo, a equipe vitrificou os primeiros embriões obtidos a partir dos oócitos coletados. O resultado representa um avanço na aplicação de biotecnologias reprodutivas nos jumentos nordestinos, especialmente porque os protocolos de produção in vitro de embriões ainda são menos estabelecidos para asininos do que para equinos.
De acordo com a professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia da UFV, a obtenção desses embriões abre novas possibilidades para a preservação do material genético de animais de interesse e para a multiplicação de indivíduos com características zootécnicas desejáveis. “A tecnologia poderá contribuir tanto para a conservação da diversidade genética do ecótipo nordestino quanto para programas de melhoramento genético e para a estruturação sustentável dos rebanhos, ampliando a contribuição de animais selecionados para as próximas gerações “, afirmou.
O estudo integra o projeto de mestrado de Frederico Freitas (foto ao lado), aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, sob orientação da professora Yamê Fabres. A pesquisa é desenvolvida no âmbito da parceria entre a Universidade e a Fazenda Jegue Land, que disponibilizou animais, estrutura e condições de campo para a realização dos estudos.
O projeto conta ainda com a participação de pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, entre eles o professor Gustavo Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e o professor Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), além de Andres Gambini, da University of Queensland (UQ), e Gabriel Clérico, da Pontifícia Universidade Católica da Argentina (UCA).
Os resultados obtidos nesse primeiro teste-piloto foram considerados promissores pela equipe, especialmente por envolverem a implementação da técnica e sua adequação às particularidades reprodutivas dos asininos. Além de contribuir para estratégias de conservação e melhoramento genético, o projeto inaugura uma linha de pesquisa na UFV voltada à produção in vitro de embriões asininos, com potencial para gerar novos conhecimentos, formar recursos humanos especializados e desenvolver protocolos adaptados aos jumentos nordestinos.
“Conseguir produzir e vitrificar esses embriões já no primeiro teste-piloto é um passo muito importante para a nossa equipe. Ainda precisamos aperfeiçoar o protocolo e avaliar a capacidade desses embriões de estabelecer gestações após a transferência. Ao mesmo tempo, esse resultado abre uma nova frente de pesquisa para a conservação e o melhoramento genético dos jumentos nordestinos”, destacou a professora Yamê Fabres.
Na próxima etapa, os pesquisadores darão continuidade aos experimentos para aperfeiçoar o protocolo e aumentar a eficiência da produção de embriões. Com o avanço do projeto, a perspectiva é realizar a transferência dos embriões para jumentas e mulas receptoras, avaliar o estabelecimento e a manutenção das gestações e, posteriormente, avançar até o nascimento dos primeiros animais provenientes da técnica. “Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados até agora e otimistas com as próximas etapas. Ainda há poucos estudos sobre ICSI em asininos e, por isso, cada avanço contribui para compreendermos melhor a técnica e pode auxiliar outras pesquisas nessa área, tanto no Brasil quanto em outros países”, ressaltou o mestrando Frederico Freitas.
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