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UFV integra parceria para pesquisa e desenvolvimento da asinocultura no Semiárido

29/09/2026

Há cerca de seis meses, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), por meio da professora Yamê Fabres Robaina Sancler da Silva (na foto acima), do Departamento de Zootecnia (DZO), integra o grupo de instituições parceiras da Jegue Land. Trata-se de uma fazenda localizada no sertão da Bahia criada por empresários com a proposta de se tornar uma referência em pesquisa, inovação e desenvolvimento da pecuária asinina (criação e produção de asnos, conhecidos como jumentos, jegues ou jericos) no Semiárido brasileiro. 

Concebida como um laboratório a céu aberto na Caatinga, a iniciativa busca aproximar o conhecimento produzido nas universidades da realidade dos sistemas de criação, aliando ciência, conservação, produção e os saberes tradicionais do campo.

No últmo fim de semana, a professora Yamê Fabres e seu orientado de mestrado, Frederico Freitas, realizaram uma visita técnica à Jegue Land para coleta de material destinado às pesquisas desenvolvidas na Universidade. A atividade foi realizada em parceria com os professores Gustavo Ferrer, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape).

Durante a visita, foram coletados 50 oócitos de jumentas (foto ao lado), que estão sendo processados no Laboratório de Reprodução de Animais de Produção do Departamento de Zootecnia da UFV para a produção in vitro de embriões asininos, sob coordenação da professora Yamê Fabres. O trabalho envolve biotecnologias reprodutivas avançadas e ainda pouco exploradas na espécie asinina, inserindo a pesquisa desenvolvida pela Universidade em uma área de fronteira da reprodução animal. Os estudos buscam aprimorar e adaptar técnicas de produção de embriões às particularidades dos asininos, ampliando as possibilidades de multiplicação de animais de interesse, conservação de recursos genéticos e melhoramento da espécie. A parceria também fortalece a formação de recursos humanos, com a participação direta de estudantes de pós-graduação nas diferentes etapas da pesquisa.

Para a professora Yamê, a integração entre universidades, propriedades rurais e produtores é fundamental para transformar o conhecimento científico em soluções aplicáveis ao setor. “A Jegue Land tem potencial para funcionar como uma vitrine tecnológica da asinocultura, permitindo demonstrar, em condições reais, práticas relacionadas à reprodução, alimentação, manejo, bem-estar e produção”. De acordo com ela, por meio das ações de pesquisa e extensão, o conhecimento gerado poderá chegar aos criadores e contribuir para a estruturação e profissionalização de novas cadeias produtivas.

O projeto

A Jegue Land deverá atuar simultaneamente como fazenda experimental e modelo demonstrativo, permitindo que tecnologias desenvolvidas pelos grupos de pesquisa sejam avaliadas em condições práticas de produção. A proposta também prevê a aproximação com criadores e demais integrantes da cadeia produtiva, favorecendo a transferência de conhecimento e a adoção de tecnologias adaptadas às condições ambientais e produtivas do Semiárido.

As atividades estão estruturadas em cinco áreas principais: Conservação e melhoramento genético; Nutrição e utilização de recursos forrageiros do Semiárido; Manejo reprodutivo e sanitário; e Bem-estar animal e viabilidade econômica da cadeia produtiva. A iniciativa pretende contribuir para o fortalecimento de diferentes segmentos relacionados aos asininos, incluindo a produção de muares, leite e derivados, além da produção de carne e outros produtos, criando oportunidades de geração de emprego e renda e de desenvolvimento econômico regional.