Institucional
Todos os campi
31/08/2026
Quantas histórias cabem em uma história de 100 anos? Impossível saber, especialmente quando a centenária é uma instituição que nasceu e cresceu tendo como principal missão acolher pessoas para ensinar. Considerando, no entanto, números não tão exatos, devido à ausência de registros passados, dá para se ter uma ideia do volume de histórias geradas e transformadas, direta e indiretamente, neste um século de existência da UFV. São mais de 100 mil estudantes em diferentes níveis de ensino e mais de 6.500 professores e técnicos, esses com registros levantados a partir de 1948, que passaram pelos três campi (Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba) da Universidade Federal de Viçosa. Sem falar dos cerca 17 mil alunos ativos em 2026 em cursos de graduação e pós-graduação e das centenas de colaboradores terceirizados do passado e do presente.
Um pouco dessas histórias esteve representada na cerimônia de celebração do centenário, realizada no Espaço Acadêmico-Cultural Fernando Sabino, na noite de 28 de agosto, dia em que, oficialmente, foi inaugurada a Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav), que deu origem à UFV. O que diria hoje seu fundador, o então presidente da República, o viçosense Arthur da Silva Bernardes, se visse o seu projeto, no interior de Minas Gerais, ser reconhecido como uma das 10 melhores universidades públicas federais do Brasil? Talvez o mesmo o que foi dito nas falas de todos os agraciados com a Medalha de Ouro Peter Henry Rolfs do Mérito: orgulho. Sentimento esse visível também naqueles que não discursaram, mas foram homenageados pelo tempo de dedicação à UFV.
Em nome dos docentes aposentados, o ex-professor José Cola Zanuncio, representado pela filha, a professora do Departamento de Medicina e Enfermagem Virgínia Vinha Zanuncio, recebeu uma homenagem pelos 53 anos de exercício como servidor público da UFV. Representando os técnicos administrativos aposentados, o homenageado foi José Maria Ferreira, pelos 54 anos em que atuou como servidor público na instituição. O professor Luiz Carlos de Abreu Albuquerque, do Departamento de Informática, representou os professores da ativa com mais tempo de trabalho na Universidade. São 51 anos de exercício. José Evangelo, da Divisão Gráfica Universitária, recebeu a homenagem em nome dos servidores ativos pelos seus 55 anos de atuação. Já representando os colaboradores terceirizados estava Norival Domingos Teixeira, com 25 anos de trabalho na Universidade.
O orgulho de ter a UFV em sua história também se notou nos 10 técnicos agraciados com a Medalha José Valentino da Cruz (Candinho) pelos 30 anos (homens) e 25 anos (mulheres) de efetiva dedicação às atividades administrativas da instituição. E igualmente nos sete professores que receberam a Medalha Bello Lisboa, pelos 25 anos de dedicação, em tempo integral, à Universidade. No palco do auditório Fernando Sabino foram homenageados, ainda, representantes de instituições parceiras que contribuíram e continuam contribuindo para a história da Universidade. Uma das homenageadas foi a Universidade de Purdue (Estados Unidos), representada por Heidi Arola (ao lado do reitor na foto à esquerda), vice-presidente assistente e diretora sênior de Relações Internacionais daquela instituição. Ela subiu ao palco com outros representantes de Purdue, que também homenagearam a UFV pela parceria, que alcançou o seu ápice por meio de um convênio firmado entre 1951 e 1973, fundamental para a consolidação da pesquisa e da pós-graduação na Universidade Federal de Viçosa.
Como tradicionalmente acontece nas cerimônias de aniversário da UFV, na de 100 anos também foram concedidas Medalhas de Ouro Peter Henry Rolfs do Mérito a docentes e técnicos em reconhecimento à efetiva contribuição deles à instituição e à sociedade. Em 2026, o agraciado com a Medalha do Mérito em Ensino foi o professor Paulo Roberto Cecon, do Departamento de Estatística (primeira foto à esquerda). Há 46 anos ele atua como docente no campus Viçosa, já tendo lecionado para 177 turmas de graduação e pós-graduação, que reuniram cerca de 13 mil estudantes.
A Medalha de Mérito em Pesquisa foi concedida ao professor Fábio Murilo Da Matta (foto à direita), do Departamento de Biologia Vegetal, reconhecido internacionalmente por suas contribuições à Fisiologia Vegetal e à Ecofisiologia do Cafeeiro. Com funções editoriais de destaque em periódicos internacionais, desde setembro de 2024, é editor-chefe da série Advances in Botanical Research, da Elsevier Sua produção científica inclui 177 artigos publicados, além de 33 capítulos de livros, sendo 18 de circulação internacional, e dois livros científicos editados no exterior.
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À professora Adriana Ferreira de Faria (segunda foto à esquerda), do Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica, coube a Medalha de Ouro Peter Henry Rolfs do Mérito em Extensão. Adriana de Faria é diretora-executiva do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (CenTev/UFV), órgão que reúne a Incubadora de Empresas, o Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), a Central de Empresas Juniores e o Núcleo de Desenvolvimento Social (Nudese). É presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores e da Divisão Latino Americana da International Association of Sciences Parks and Ares of Innovation.
A Medalha de Ouro Peter Henry Rolfs do Mérito Administrativo foi entregue a Cláudio Márcio Brustolini (segunda foto à direita), técnico do Departamento de Solos, atuante no Laboratório de Física do Solo. Dentre as atividades que exerce há mais de 30 anos, se destaca no preparo de aulas práticas para diferentes disciplinas de graduação e pós-graduação e, principalmente e na realização de aproximadamente seis mil análises de solo por ano em atividades de extensão.
Em seu discurso na noite celebrativa, o reitor lembrou a razão da cerimônia: os “cem anos de uma instituição que nasceu de um sonho, cresceu pelo trabalho de muitas gerações e chega a este momento como uma das mais respeitadas universidades brasileiras”. Demetrius contou um pouco de sua história na UFV, onde chegou aos 16 anos, como estudante, e onde construiu sua trajetória como professor, pesquisador e gestor. Ele destacou que “a Universidade Federal de Viçosa é resultado da visão estratégica de Arthur da Silva Bernardes, de Peter Henry Rolfs e de todos aqueles que, há um século, acreditaram que a educação, a ciência e o conhecimento poderiam transformar uma região e contribuir para o desenvolvimento do Brasil”.
Em sua avaliação, “a UFV tornou-se grande porque preservou os valores que sustentaram sua criação, mas também soube mudar quando foi necessário”. E ressaltou: “Hoje somos uma universidade multicampi, presente em Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba. Três campi com características próprias, trajetórias particulares e diferentes vocações, mas unidos por uma mesma instituição, uma mesma missão e um mesmo compromisso. E essa dimensão múltipla precisa ser, cada vez mais, não apenas uma característica administrativa, mas uma expressão concreta daquilo que somos: uma universidade plural, diversa, descentralizada e comprometida com os diferentes territórios onde está presente”.
Com o entendimento de que o aniversário de 100 anos da Universidade também impõe uma pergunta, provocou uma reflexão: “Talvez, a questão mais importante não seja apenas o que a UFV fez nos últimos 100 anos, mas o que faremos nos próximos 100 anos que nos foram confiados?” E justificou: “o mundo mudou. Mudaram a ciência, as tecnologias, as relações de trabalho, as formas de ensinar e aprender, as expectativas da sociedade e os desafios colocados diante das instituições de ensino superior. Surgiram questões que, décadas atrás, sequer poderíamos imaginar”, mencionando alguns desafios que a UFV enfrenta no início de seu segundo século. Para isso, encorajou a plateia: “precisamos entrar nele com o mesmo espírito que inspirou esta Universidade - entusiasmo para sonhar, coragem para mudar, prudência para decidir, racionalidade para enfrentar os problemas e criatividade para encontrar novos caminhos. É chegada a hora de reafirmarmos nossa opção pela contemporaneidade. Não podemos ter medo da mudança. E, sobretudo, não podemos nos acomodar diante dela e nem projetar apenas o passado no futuro”.
Para Demetrius, estar na UFV como reitor no ano em que a Universidade completa 100 anos “é uma honra que ultrapassa a dimensão profissional. É uma responsabilidade enorme, mas é também uma dívida de gratidão. Acredito que muitos dos que estão aqui hoje compreendem profundamente o que esta Universidade representa em suas próprias histórias. Porque, para milhares de pessoas, a UFV não foi apenas o lugar onde estudaram ou trabalharam. Foi onde encontraram oportunidades, construíram amizades, descobriram vocações, desenvolveram suas profissões, formaram suas famílias e transformaram suas vidas. A UFV deu muito a cada um de nós. E deu muito ao Brasil. Este centenário, portanto, pertence a todos aqueles que, de alguma forma, fizeram e continuam fazendo parte dessa história”.
Pelo trabalho à frente da gestão neste centenário, o reitor foi homenageado pela vice-reitora Rejane Nascentes e pelos pró-reitores com a fotografia oficial dos 100 anos, que teve a participação da comunidade, emoldurada em um quadro.
No evento de aniversário, houve também o lançamento de registros concretos da história da instituição, que ficarão eternizados para a consulta das futuras gerações: o livro do centenário, apresentado pela professora Vanessa Lana, do Departamento de História, e a revista dos 100 anos, lançada pela diretora de Comunicação Institucional, Monique Bertto. A revista traz um registro do presente da instituição que o passado possibilitou e um pouco do que se deseja para o futuro da UFV. Em breve ambos estarão disponíveis para a comunidade.
Após a cerimônia, foi inaugurado o Monumento ao Centenário da UFV (foto abaixo), criado pela Pró-reitoria de Administração e exposto em frente ao Centro de Vivência. Nele, entre quatro simbólicas pilastras, marco histórico da instituição, está um globo terrestre, representando o mundo que a Universidade ajudou a transformar, geração após geração, pela forma do conhecimento, da ciência e da educação.
Vale destacar que a cerimônia de aniversário contou com uma apresentação musical do Duo Almare, composto pelo violonista Jaelson Farias e pela cantora e percussionista Adê Ribeiro. Também Kamila Demarques cantou a música feita especialmente para o centenário pelo funcionário da UFV Lucas de Almeida Sacramento, que acompanhou a apresentação ao lado do músico Jader Carlos Moreira.
Além das autoridades que compuseram a Tribuna de Honra, integraram a mesa oficial, presidida pelo reitor Demetrius, a vice-reitora Rejane Nascentes; a representante do Ministério da Educação, Marina Monteiro de Castro e Castro; a senadora e ex-aluna da UFV Tereza Cristina da Costa Dias; o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Almeida Pereira Fernandes; o presidente do Sistema Faemg-Senar e vice-presidente da CNA, Antônio Pitangui de Salvo; o diretor-geral do Senar, Daniel Klüppel Carrara; o reitor da Universidade Federal de Campina Grande e vice-presidente da Andifes, Camilo Allyson Simões de Farias; o presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, Ricardo Machado Rabelo; o desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 6ª Região Rubens Rollo D'Oliveira; a representante do Corregedor Geral do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, diretora do Foro da Comarca de Viçosa, juíza Giovanna Travenzolli Abreu Lourenço; o prefeito de Viçosa, Ângelo Chequer; o presidente da Câmara de Vereadores de Viçosa, Robson Alencar de Souza; o secretário de Órgãos Colegiados da UFV, Marcos Ribeiro Furtado, e os ex-reitores da Universidade Antônio Lima Bandeira, Evaldo Ferreira Vilela, Carlos Sigueyuki Sediyama, Luiz Cláudio Costa e Nilda de Fátima Ferreira Soares.
A cerimônia completa pode ser conferida no Canal da UFV no YouTube. Para mais fotos do evento, acesse o álbum do Flickr.
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