Institucional
Campus Viçosa
14/05/2026
Uma parte das verbas indenizatórias decorrentes dos desastres de Brumadinho (2019) e Mariana (2015) ajudará o estado de Minas Gerais a combater o greening, a doença mais grave da citricultura mundial e uma ameaça crescente para o setor no Brasil. O convênio - que prevê o repasse de R$ 3,8 milhões em três anos, para que a UFV realize pesquisas e desenvolva sistemas de monitoramento, vigilância e certificação fitossanitária de Citrus - foi assinado, nesta quinta-feira (14), pela Universidade e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
O foco da parceria é o monitoramento do greening, doença causada por bactérias e transmitida pelo inseto Diaphorina citri (psilídeo). Como a enfermidade não tem cura, o controle rigoroso do inseto vetor é o maior desafio atual da citricultura, tornando as ações preventivas essenciais para evitar a perda definitiva das plantas. A praga já causou prejuízos bilionários nos Estados Unidos e ameaça o Brasil, que é o maior produtor mundial de laranja e líder global na exportação de suco. Minas Gerais ocupa hoje o posto de segundo maior produtor de citros do país.
Segundo a diretora-geral do IMA, Luiza Moreira Arantes de Castro, o crescimento da produção de citros é estratégico para atrair investimentos ao estado. Ela explica que a exportação de suco de laranja integra a pauta do acordo entre Mercosul e União Europeia — que entrou em vigência este ano — e que a certificação de controle de pragas é fundamental para a competitividade dos produtores mineiros.
Por isso, o principal objetivo do convênio é criar ferramentas tecnológicas com Inteligência Artificial capazes de predizer o espalhamento do vetor. Isso permitirá um combate mais eficiente e evitará o uso desnecessário de defensivos químicos. “A citricultura está espalhada em pequenas e médias propriedades do estado, gerando renda e empregos. Estamos falando de ferramentas capazes de transformar a cadeia produtiva mineira, favorecendo a balança comercial com investimentos seguros”, destacou a diretora.
De acordo com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Raul Guedes, o projeto é complexo e funcionará como um piloto para a criação de sistemas semelhantes para outras pragas. O convênio envolverá pesquisas multidisciplinares nas áreas de entomologia, defesa sanitária, fitopatologia, fruticultura, química, tecnologia de alimentos e computação. A assinatura do convênio ocorreu durante a transferência simbólica da sede do governo de Minas para Viçosa.

À tarde, pesquisadores da UFV e do IMA promoveram um seminário de defesa vegetal para debater a parceria de Pesquisa e Inovação, batizada de Defesa Agropecuária 4.0 – CitrosGuard. O evento contou com a participação do secretário de Agricultura, Thales Pereira Fernandes (foto: Diego Vargas).
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