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Pesquisadora da UFV descreve duas novas espécies de peixes vampiros

08/05/2026

A UFV colaborou com a descoberta de duas novas espécies de peixes vampiros. Longe da ficção: trata-se de candirus, que fazem por merecer essa identificação, já que são hematófagos — se alimentam de sangue — e têm hábitos noturnos. As espécies foram descritas pela professora do Departamento de Biologia Animal da UFV Elisabeth Henschel, com os colaboradores Jonathan Baskin e Nathan Lujan, respectivamente do Museu Americano de História Natural (EUA) e do Museu Real de Ontário (Canadá). O artigo científico, com a descrição de Paracanthopoma ventuarensis e de Paracanthopoma jiparanaensis, foi publicado pela Zootaxa.

Os candirus já são conhecidos. Protagonizam contos populares, que envolvem ataques a pessoas, mas, em geral, são vistos pelas comunidades quando estão parasitando os peixes pescados por elas. Elisabeth (foto ao lado) explica que esses animais estão organizados na família Trichomycteridae, e as espécies recém-descobertas estão na subfamília Vandelliinae, que se alimenta de sangue sobretudo de outros peixes. De acordo com a professora, ainda existe mais uma subfamília, cujos indivíduos se alimentam de pele, muco e escamas.

Com aproximadamente 2 cm, as novas espécies são da Amazônia, de áreas tanto do Rio Madeira, no Brasil, quanto do Rio Orinoco, na Venezuela. Por meio de técnicas de taxonomia clássicas e modernas, como tomografia computadorizada de alta resolução, os pesquisadores analisaram particularmente as estruturas do crânio e do esqueleto desses animais, o que permitiu diferenciá-los das outras 11 espécies de candirus descritas até hoje.

Principalmente os ossos da cabeça dos peixes vampiros, segundo Elisabeth, estão relacionados e permitem entender um pouco mais sobre o hábito alimentar. “Os candirus são os únicos vertebrados com mandíbulas, além dos morcegos, que se alimentam de sangue”, ela esclarece. As novas espécies têm, por exemplo, vários dentes, inclusive fora da boca, que servem para se prenderem e parasitarem outros peixes — geralmente, isso acontece na parte das brânquias, que dá acesso às artérias. “A gente hipotetiza que o grau de desenvolvimento dos dentes, de robustez desses ossos, pode variar conforme o tipo de peixe parasitado”, observa.

Paracanthopoma ventuarensis — 21,8 mm — Venezuela
Paracanthopoma jiparanaensis — 25,6 mm — Brasil

Os três pesquisadores investigam os candirus há alguns anos e têm muitos dados sobre esses animais. Os holótipos das novas espécies —  os exemplares nos quais as descrições taxonômicas foram baseadas (fotos acima) — são provenientes de coleções científicas e foram coletados em 1977, no caso do Brasil, e em 2010, no caso da Venezuela. “Podemos coletar um novo material ou fazer novas análises de materiais de coleções científicas, como no nosso caso. Quando fizemos essas novas análises, comparando com os dados que já existiam, eram diferentes de tudo o que já tínhamos visto”, Elisabeth conta, chamando atenção para a importância das coleções científicas como repositórios de materiais que servem a diversos estudos e descobertas.

Apesar de os candirus não serem novidade, Elisabeth afirma que a diversidade e a ecologia desses animais ainda são pouco compreendidas e que há muito conhecimento para ser explorado, mesmo em lugares já estudados. Ao mesmo tempo, a professora fala sobre o meio ambiente: “uma das espécies foi registrada em uma área relativamente preservada do Rio Orinoco, o que reforça o papel desses lugares como refúgios de biodiversidade e a importância de sua conservação frente a pressões ambientais, como o garimpo”.

Para Elisabeth, que tem outras descobertas e descrições em seu currículo, “é satisfatório descobrir algo novo”. Todo o esforço de preservação e restauração ambiental, da biodiversidade, de acordo com ela, também depende do ato de identificar e estudar o que existe.