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Palestra inicia Congresso de Combate às Opressões na UFV e programação continua ao longo da semana

13/04/2026

A Universidade deu início, na manhã desta segunda-feira (13), ao I Congresso de Combate às Opressões na UFV: prevenção e combate ao assédio moral e sexual. A abertura do evento aconteceu no Espaço Acadêmico-Cultural Fernando Sabino, com a palestra Entre o saber e as opressões: entendendo o assédio moral no ambiente universitário, ministrada pelo professor Thiago Soares Nunes, da Universidade Fumec e do Cefet-MG. Antes da palestra, a estudante do Programa de Pós-graduação em Letras Maria Clara Barbosa Bernardo declamou dois poemas: Ser mulher, de Gilka Machado, e Liberdade, de Paul Eluard.

Em sua apresentação, dentre outros aspectos, Thiago abordou conceitos e características do assédio, ilustrados com exemplos de experiências acumuladas em seus 18 anos de pesquisas sobre o tema. Lembrou que agressões eventuais e isoladas não são consideradas como assédio, que pode ocorrer em diferentes direções, não apenas do superior hierárquico ao seu subordinado, mas também no sentido contrário e entre colegas. Na maioria das vezes, contudo, é praticado por homens, em funções hierarquicamente superiores e contra grupos de duas ou mais pessoas.  

O professor da Universidade Fumec comentou ainda as consequências do assédio moral sobre as vítimas, que têm as saúdes física e mental abaladas por sintomas, como depressão, desânimo, tristeza e ansiedade, e apresentam baixo rendimento no trabalho, o que pode acarretar mudança de setor ou até mesmo a saída da instituição. Há ainda redução da produtividade e comprometimento nas relações da vida privada. Por isso, a importância, segundo Thiago, da prevenção e do combate, o que, em sua opinião, passa pela prática do código de ética; do respeito e valorização do trabalhador; da formação de chefias, especialmente para receber as queixas e tratar as pessoas com uma comunicação não violenta, e a divulgação e normatização do assédio moral.

A criação da Política de Promoção dos Direitos Humanos e Combate às Opressões na UFV é um exemplo, na avaliação de Thiago, da atuação da Universidade na prevenção e no combate ao assédio, assim como a realização do Congresso que, ao longo desta semana, promoverá mesas temáticas sobre o assunto com públicos específicos da comunidade universitária. O professor ressaltou a importância de se compartilhar com colegas de trabalho as situações de assédio, para externalizar os sentimentos, e também de se denunciar. Embora reconheça que ainda haja muitos desafios a serem enfrentados, Thiago considera o contexto atual melhor se comparado há anos. Hoje, justifica, há normativas, comissões, cobranças governamentais e ações das gestões organizacionais. Antes, não existia o fluxo, por exemplo, para se fazer uma denúncia como ocorre atualmente. Este ponto também foi destacado pelo reitor Demetrius David da Silva, que ressaltou as mudanças implementadas na UFV nesse sentido.

O I Congresso de Combate às Opressões na UFV, segundo o reitor, é parte de um combo de ações, que envolve ainda a Política de Promoção dos Direitos Humanos e Combate às Opressões, que está completando dois anos, a criação da Unidade Seccional de Correição (USC), com atuação independente da gestão nas apurações; a Comissão Permanente de Saúde Mental, instituída em 2022; e a Comissão Permanente para a Promoção dos Direitos Humanos e Combate às Opressões (CPDHO), instalada em 2024. Mas lembrou: “lidamos com mudanças culturais, que não ocorrem de uma hora para a outra, mas somente com o tempo, e elas precisam da participação de todos”. O Congresso, em sua avaliação, é uma oportunidade importante para isso.

O professor Demetrius participou da mesa oficial de abertura do evento, na qual estavam ainda a vice-reitora Rejane Nascentes, presidente da Comissão Permanente de Saúde Mental, e a representante da Pró-reitoria de Assuntos Comunitários, a chefe da Divisão de Esporte e Lazer, Cláudia Patrocínio de Oliveira.

Também à mesa, a presidente da CPDHO, professora Joana D’Arc Germano Hollerbach (foto), se disse honrada com a realização do Congresso. Ela destacou a colaboração de todos os envolvidos na organização do evento e o apoio da reitoria. 

Vale lembrar que, até sexta-feira (17), haverá quatro mesas de debates voltadas para públicos específicos da comunidade, além da oficina Antirracismo: compromisso ético e político, para a qual é necessário se inscrever. A primeira mesa será nesta terça-feira (14), para os servidores em geral, e não é necessário fazer inscrição.

Confira a programação.

- 14 de abril, 9h
Local: Auditório do Departamento de Administração e Contabilidade (DAD)
Público-alvo: servidores em geral
Participação da técnica da UFV Betânia Barros Lourenço, pesquisadora do Grupo de Investigação sobre Trabalho, Gestão e Diferenças (GiD), e de Bárbara Maia Reis Souza, mestranda do Programa de Pós-graduação de Administração da UFV (PPGAdm)
(Não é necessário inscrição prévia)

- 15 de abril, 14h
Local: Auditório do DAD
Público-alvo: chefes de departamentos e de expediente
Participação do delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, Diogo Abdo, e do professor Luiz Ismael Pereira (chefe do Departamento de Direito)
(Não é necessário inscrição prévia)

- 16 de abril, 14h
Local: Auditório do DAD
Público-alvo: coordenadores de graduação e pós-graduação
Participação do professor Diego Costa Mendes (DAD) e da técnica Betânia Barros Lourenço, pesquisadora do Grupo de Investigação sobre Trabalho, Gestão e Diferenças (GiD)

- 16 de abril, 14h - Oficina Antirracismo: compromisso ético e político
Local: sala 200 do DAD
Ministrante: professora Maria Simone Euclides (Departamento de Educação)
Inscrição pelo link https://docs.google.com/forms

- 17 de abril, 14h
Local: Auditório do DAD
Público-alvo: estudantes de graduação e pós-graduação
Participação da professora do Departamento de Educação Joana D’Arc Germano Hollerbach (presidente da CPDHO) e de estudantes do curso de Direito
(Não é necessário inscrição prévia)

Para saber mais sobre o tema do Congresso da UFV, acesse, ao lado, o QR Code do Guia Lilás - Orientações para prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual e à discriminação no governo federal, elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU).