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19/01/2026
Um estudo, publicado, neste mês, na revista científica Nature Communication, Earth and Environment, com participação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), mostra que os chamados rios atmosféricos estão diretamente associados às variações nos incêndios florestais na América do Norte. Os resultados ajudam a esclarecer como o clima influencia a vegetação e o fogo, contribuindo para previsões sazonais mais precisas do risco de incêndios. Na prática, o trabalho oferece subsídios importantes para políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas, manejo florestal e planejamento de ações por órgãos ambientais e de defesa civil. Rios atmosféricos são faixas estreitas e intensas de vapor d’água que se deslocam pela atmosfera, transportando grandes volumes de umidade dos oceanos para os continentes. Eles influenciam diretamente a ocorrência de chuvas, secas e eventos extremos e, de acordo com o estudo, também desempenham papel central na dinâmica da vegetação e dos incêndios florestais.
O trabalho tem como autores o professor Flávio Justino e o pesquisador Carlos Gurjão, ambos do Programa de Pós-Graduação em Meteorogia Agrícola, além de David Bomwich, professor da Ohio State University (EUA). Segundo os pesquisadores, as mudanças no clima global tornam cada vez mais necessária a compreensão dos processos que levam a eventos extremos, como a seca — um fenômeno capaz de afetar grandes áreas continentais e gerar impactos sociais, econômicos e ambientais.
A pesquisa partiu da necessidade de entender como os rios atmosféricos conectam grandes padrões de variabilidade climática às mudanças observadas na vegetação e na extensão das áreas queimadas por incêndios florestais na América do Norte.
Imagem publicada no artigo“Apesar de já se reconhecer a influência do clima de grande escala nos incêndios, ainda existiam lacunas sobre quais mecanismos atmosféricos transformam essas conexões climáticas em impactos diretos sobre o fogo”, explica o professor Flávio Justino. Essas conexões, conhecidas como teleconexões, ligam eventos climáticos que ocorrem em regiões distantes do planeta, sem contato físico direto. Um exemplo conhecido é o fenômeno El Niño: o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode alterar padrões de chuva e temperatura em locais a milhares de quilômetros de distância, provocando secas no Brasil ou inundações na Austrália, por meio de grandes ondas atmosféricas.
De acordo com o pesquisador, já se sabia que os rios atmosféricos tinham forte influência sobre a precipitação e eventos extremos. A principal novidade do estudo, porém, foi demonstrar que esses “rios invisíveis” atuam como mediadores centrais entre as teleconexões climáticas e as variações na vegetação e na área queimada por incêndios. Com isso, eles reorganizam e explicam relações que antes eram atribuídas diretamente apenas aos grandes modos climáticos.
Os resultados indicam que o papel dos rios atmosféricos vai muito além da previsão de chuvas e enchentes. Eles influenciam ciclos de umidade e de seca que afetam diretamente o comportamento do fogo em diferentes regiões. Compreender esses mecanismos é fundamental para aprimorar as estratégias de previsão de incêndios e orientar políticas de gestão do risco climático e ambiental.
O estudo demonstra, assim, que a variabilidade dos rios atmosféricos exerce um controle significativo sobre a área queimada na América do Norte. “Quando essa influência é considerada explicitamente, a relação direta entre as teleconexões climáticas e os incêndios é substancialmente reduzida, evidenciando que os rios atmosféricos são o principal elo físico entre o clima de grande escala e os regimes regionais de fogo”, destaca Flávio Justino.
A descoberta amplia, de forma significativa, o conhecimento científico, ao propor um novo modelo conceitual para compreender a relação entre clima e incêndios florestais. Como desdobramento, as análises estão sendo estendidas para o Brasil, com o objetivo de avaliar se os rios atmosféricos também atuam como mediadores entre o clima de grande escala e a variabilidade da vegetação e dos incêndios em biomas, como a Amazônia, o Cerrado e a Caatinga.
A pesquisa citada nesta matéria está alinhada aos itens 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima) e 15 (Vida Terrestre) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
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