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Pesquisa da UFV sobre ativismo e liberdade de expressão no esporte ganha prêmio internacional

06/11/2026

Atletas de todo o mundo podem ou não se posicionar sobre questões políticas ou religiosas quando estão em evidência? No doutorado do Programa de Pós-graduação em Educação Física da UFV (PPGEFI), a pesquisadora em formação Clarisse Caetano está investigando regras e limites do ativismo de atletas olímpicos. A questão interessa muito, já que é cada vez mais comum atletas usarem os pódios para gestos com posicionamentos, por exemplo, sobre o racismo e liberdade religiosa; darem declarações em entrevistas à imprensa ou publicarem em suas redes sociais durante o evento. O trabalho de Clarisse, que discute essa questão, acaba de ser premiado pelo Centro Internacional de Estudos Olímpicos – ICOS internacional e será publicado como referência pela Western University, no Canadá.

O resultado do prêmio da Founder Robert K. Barney Student Essay Contest foi anunciado no dia 31 de outubro e Clarisse foi a única vencedora entre dezenas de concorrentes de todo o mundo. O trabalho é parte da tese que está em fase de produção, orientada pela professora Doiara Silva dos Santos no Laboratório de Estudos Olímpicos e Socioculturais dos Esportes (LEOS) do PPGEFI.

Clarisse é viçosense e fez graduação, mestrado e, agora, doutorado no Departamento de Educação Física da UFV. Em suas pesquisas, utiliza metodologias que se baseiam na fonte de estudos sociológicos. “Sempre fui uma pessoa atenta aos problemas do coletivo. Minha motivação para esta pesquisa parte desse olhar sobre a realidade social, na qual percebo os atletas imersos em diferentes dinâmicas sociais e, cada vez mais, utilizando suas vozes e sua visibilidade para vocalizar as pautas da sociedade, como a denúncia de violências, do racismo e de conflitos geopolíticos, que extrapolam as questões e demandas próprias do esporte”, disse ela.

O caráter inovador da pesquisa está na análise da participação das comissões de atletas nas discussões sobre a Regra 50 da Carta Olímpica, que estabelece restrições às manifestações políticas, religiosas ou raciais nos locais de competição. Vários atletas desafiaram as normas ou utilizaram a flexibilização das regras para expressar suas convicções. "A forma como ela está hoje ainda gera discussão e continua sendo pauta dos atletas que buscam mudanças", afirma a pesquisadora. 

Fundamentado em um levantamento da literatura internacional sobre direitos humanos e ativismo de atletas, o estudo examinou cartas de comissões de atletas de 11 países, além dos relatórios da consulta realizada pelo Comitê Olímpico Internacional. Ao comparar esses documentos, a pesquisa identificou diferentes posições sobre a liberdade de expressão e os limites dos protestos, incluindo a defesa do direito de atletas se manifestarem sobre causas, como o enfrentamento ao racismo, às discriminações e às desigualdades sociais. Essas reivindicações evidenciam que o esporte não está alheio aos conflitos e problemas da sociedade e que os atletas buscam participar das decisões sobre as condições em que podem dar visibilidade a essas questões.

Para Clarisse Caetano, o trabalho segue agora investigando as perspectivas dos atletas olímpicos brasileiros sobre o ativismo, buscando entender como essa questão está presente no cenário nacional.