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Professor da UFV integra estudo internacional que descobriu novas espécies de macacos bugio

05/11/2026

Uma análise genômica realizada com macacos bugio da América Central e da América do Sul recentemente revelou duas espécies até então desconhecidas, que habitam a Floresta Amazônica. O estudo foi liderado por pesquisadores vinculados à Universidade de Salford (Inglaterra), com a colaboração de parceiros internacionais, como o professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV Fabiano Melo. A investigação englobou 11 espécies de bugios — incluindo as recém-descobertas — com o objetivo principal de compreender mais da biodiversidade desses animais. Os resultados podem orientar estratégias de conservação.

O artigo — divulgado pela Communications Biology — conta que, a partir da análise genômica, combinada com dados morfológicos de acervos científicos, os pesquisadores construíram a história evolutiva mais abrangente de bugios já documentada. Esta permitiu identificar as linhagens e os parentescos das espécies investigadas, além de revelar as duas espécies até então desconhecidas: o bugio-ruivo-de-pantepui (Alouatta iroi), no norte da Floresta Amazônica, entre Brasil, Guiana e Venezuela; e o bugio-ruivo-de-mato-grosso (Alouatta matogrossensis), no sul da Amazônia brasileira. O primeiro recebeu o nome “iroi” porque é chamado de "iro" pelo povo indígena Yanomami da região. Já o nome do segundo tem relação com o estado onde é encontrado, o Mato Grosso.

Bugio-ruivo-de-pantepui (Alouatta iroi) — Foto: John Trent CC-BY-NC-ND

Por meio de projetos científicos e trabalhos de campo, o professor Fabiano monitora primatas em diferentes áreas no país, como no Mato Grosso. “A gente faz análises de dados de abundância, ocupação, entre outros, e ajuda no resgate de animais, que, eventualmente, acabam não sobrevivendo. Então, recolhemos e reunimos informações e materiais genéticos e os compartilhamos, como na cooperação com o Jean Boubli, professor da Universidade de Salford e um dos autores do artigo”, Fabiano explica.

Bugio-ruivo-de-mato-grosso (Alouatta matogrossensis) — Foto: Bruno Rennó

As novas descobertas aconteceram 85 anos após a última espécie de bugio ter sido descrita, deixando claro que ainda há muito a ser compreendido sobre a maior floresta tropical do mundo. Elas também proporcionaram uma atualização importante sobre como os primatas evoluíram e se espalharam pela região: os pesquisadores entenderam que grandes rios, como o Amazonas, o Rio Branco e o Xingu, por milhões de anos foram barreiras naturais, impedindo a mistura de populações desses animais, ocasionando a evolução para espécies distintas e a biodiversidade observada atualmente.

O estudo também mostrou que algumas espécies podem estar em risco de extinção, incluindo as recém-descobertas — que ainda terão seu status de conservação avaliado de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. O habitat do bugio-ruivo-de-mato-grosso, citado no artigo, por exemplo, é cada vez mais impactado pelo desmatamento causado pela agricultura e pela pecuária em escala industrial.

Jean Boubli e Romina Batista — brasileira vinculada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e à Universidade de Salford, primeira autora do artigo — destacam que a ação humana e as mudanças climáticas ameaçam muitas espécies amazônicas antes que sejam totalmente compreendidas ou até descobertas pela ciência. Junto a Fabiano, eles compartilham o desejo de que o estudo contribua para a proteção desses animais. “Compreender as diferentes espécies existentes é o primeiro passo para protegê-las”, Romina salienta.

Fêmea de bugio-ruivo-de-mato-grosso carregando um filhote nas costas — Foto: Projeto Reconecta/Smithsonian's National Zoo & Conservation Biology Institute, Washington, DC