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Universidade realiza I Seminário sobre ações afirmativas e direitos humanos

05/11/2026

Os desafios da consolidação das ações afirmativas, da permanência estudantil e de estratégias de enfrentamento às diferentes formas de opressão estiveram em debate com a realização do I Seminário sobre ações afirmativas e direitos humanos da UFV. O evento, que foi ainda uma oportunidade de apresentar a nova diretoria da área, aconteceu no auditório da Coordenadoria de Educação Aberta e a Distância (Cead), do campus Viçosa, com transmissão para os campi Florestal e Rio Paranaíba.

Na mesa de abertura do Seminário, nessa quarta-feira (4), a diretora de Políticas Afirmativas e Promoção dos Direitos Humanos (DDH), Maria Simone Euclides, destacou que o evento foi construído "por muitas mãos e mentes" e simboliza um espaço fundamental para a reflexão crítica e que auxiliará na construção de políticas institucionais cada vez mais inclusivas e um ambiente de acolhimento e equidade. Ela indicou que a mudança já começou desde o ingresso dos estudantes cotistas na UFV, e que é necessário avançar com as conquistas, sem retroceder. Para Simone, a criação da DDH já sinaliza esse interesse por melhorias, reafirmando o compromisso da Universidade em tratar essas pautas de forma permanente e estratégica. "A nova diretoria tem por intuito criar políticas institucionais contínuas que garantam a permanência material, simbólica e o respeito às diversidades de quem compõe o universo acadêmico."

O coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE),  Thales Crystian de Assis, ressaltou que "a Universidade não é só um espaço de produção de conhecimento, ela é também um espaço político, social, cultural que precisa reconhecer o seu papel no enfrentamento das desigualdades. Nesse sentido, as políticas afirmativas são fundamentais". Segundo o estudante, elas não representam privilégio, mas reparação histórica, e não basta permitir que diferentes pessoas ingressem, mas que elas sejam também respeitadas. "A universidade verdadeiramente democrática não é a que apenas abre portas, mas sim aquela que aprende a mudar a partir de quem entra nela", enfatizou.

Para o pró-reitor de Assuntos Comunitários, Bruno David Henriques, a UFV conseguiu dar um importante passo com a criação da DDH, que é vinculada à Pró-reitoria de Assuntos Comunitários (PCD), demonstrando o compromisso institucional de trabalhar em uma área que, por muitas vezes, ficava escondida. Ele enfatizou que o Seminário é um espaço estratégico para debater e consolidar ações afirmativas que garantam não apenas o acesso, mas a permanência com qualidade e o sucesso acadêmico dos estudantes.

A vice-reitora, Rejane Nascentes, reafirmou o empenho da administração superior da UFV em fortalecer e priorizar as políticas de ações afirmativas, inclusão e direitos humanos em todos os campi da Universidade. Ela lembrou que a DDH era uma diretoria muito almejada e o quanto é importante ter uma pessoa como a professora Simone para conduzi-la, marcando uma nova era na Universidade ao ser criada no centenário da instituição. Rejane ressaltou ainda o papel pedagógico e social da Universidade na construção de uma comunidade acadêmica mais diversa, justa e livre de qualquer forma de preconceito ou discriminação.  

Também participaram da mesa de abertura o assessor especial, Thiago Mendonça, e o diretor de Extensão, João Marcos de Araújo, representando as pró-reitorias de Ensino e de Extensão e Cultura, respectivamente. Eles demonstraram orgulho em participar do primeiro seminário de um tema tão importante para a UFV.

 

Panorama das Ações Afirmativas no Brasil

A conferência de abertura do seminário foi ministrada pela professora Cássia Virgínia Bastos Maciel, da Universidade Federal da Bahia. A partir da temática Panorama das Ações Afirmativas no Brasil, a pesquisadora abordou temas centrais sobre a implementação e a importância das ações afirmativas no contexto acadêmico e social. 

Cássia Maciel destacou que as ações afirmativas não são esmolas, nem concessão, nem tolerar a diversidade, mas sim “um encontro radicalmente humano pautado na diversidade, na afetividade e no respeito profundo.” Ela analisou alguns dos obstáculos encontrados na implementação dessas políticas afirmativas, reforçando a necessidade de um compromisso contínuo e transversal para garantir que o acolhimento desses estudantes seja efetivo, indo além da reserva de vagas. 

A pesquisadora parabenizou ainda a UFV pela criação da DDH: “um projeto robusto, originalíssimo e extremamente importante”, e disse que a decisão da reitoria de avançar nesses princípios precisa ser muito valorizada, com uma construção coletiva.

 

Mesas-redondas

A programação continuou na quinta-feira (5), com as mesas-redondas Diversidades, inclusão e direitos humanos nas universidades, que contou com Michelle Nave Valadão (UPI/UFV) e Letícia Carolina Nascimento (UFPI), e mediação de Demi Dendê  (DCE); e Para além do ingresso: a permanência material e simbólica de estudantes nas universidades, com Dyane Brito Reis dos Santos (UFRB) e Cátia Cristina Modesto (PCD), e mediação de Geralda Aparecida dos Santos Vianna (PCD). 

Todas as reflexões e discussões do I Seminário  sobre ações afirmativas e direitos humanos da UFV podem ser conferidas no canal da UFV no Youtube. A abertura, com a conferência, pode ser acessada em www.youtube.com/seminario. Já as mesas-redondas estão disponíveis em www.youtube.com/mesas-redondas.