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Nova turma de mestres e doutores recebe certificados da UFV

16/10/2026

Mais uma vez o Espaço Acadêmico-Cultural Fernando Sabino sediou a Cerimônia de Entrega de Certificados a novos mestres e doutores da UFV, do campus Viçosa. O evento foi na tarde desta sexta-feira (16) e reuniu parte dos 224 pós-graduados de 2026. Os certificados foram entregues pelos coordenadores dos programas de pós-graduação, pelo pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (PPG), Raul Narciso Carvalho Guedes, e pela vice-reitora Rejane Nascentes, paraninfa da turma, que presidiu a cerimônia.

Organizado pela Associação de Pós-Graduandos (APG) da UFV, com o apoio da PPG, o evento, que já virou tradição, é um momento de celebrar a consolidação da pós-graduação stricto sensu na Universidade Federal de Viçosa, que carrega consigo o pioneirismo de ter sido a primeira a oferecer um programa stricto sensu no país, em 1961. De lá para cá, já são mais de 50 programas de pós-graduação em diferentes áreas de abrangência, muitos deles com nota máxima na Capes, e mais de 16 mil mestres e de seis mil doutores titulados.

A voz dos titulandos de 2026 foi representada na cerimônia pela doutora em Politica Social Luciana Gomes (foto ao lado), oradora da turma. Para a plateia, que lotou o auditório Fernando Sabino, ela contou um pouco de sua história. Filha de uma mãe analfabeta e de um pai que estudou até a quarta série do ensino fundamental, Luciana se autodefiniu como uma “doutora improvável”, em função de sua trajetória acadêmica marcada por reprovações, por ter concluído o ensino médio na Educação de Jovens e Adultos (EJA), por interrupções e dificuldades. Enfim, por um percurso que, segundo ela, não correspondia àquele que, socialmente, se espera de alguém que um dia chegará ao doutorado.

“A Universidade não era um sonho que eu alimentava e perseguia conscientemente. Era, antes, uma possibilidade que eu sequer sabia se poderia alcançar. Até que uma politica pública mudou o curso da minha história”, lembrou. Por meio do Prouni o sonho de cursar uma universidade ganhou concretude e ela ingressou no curso de Serviço Social, na Universidade Federal de Ouro Preto. O trabalho na área a levou ao mestrado que, por sua vez, despertou o seu desejo para o doutorado que a trouxe à UFV. “Estudei, trabalhei, enfrentei dificuldades e precisei insistir muitas vezes, mas também tive oportunidades”. O Prouni foi uma delas, como contou, assim como a universidade pública e a Capes, da qual foi bolsista.

Ao citar o filósofo e educador Paulo Freire, Luciana disse que foi transformada pela educação. “Mas não quero que essa transformação termine em mim. Quero que ela se manifeste no meu trabalho, nas minhas pesquisas, no compromisso com a garantia de direitos e na defesa de condições para que outras pessoas também possam estudar, pesquisar e realizar seus próprios projetos. Hoje, recebo o título de doutora pela Universidade Federal de Viçosa. É uma conquista que me emociona profundamente e que levarei comigo por toda a vida.” E ressaltou: “sou uma doutora improvável, mas não quero que outras pessoas precisem ser improváveis para conquistar o direito de estudar. Quero que tenham oportunidades. Que encontrem portas abertas. Que recebam apoio para permanecer. Que possam construir seus próprios caminhos, mesmo que sejam completamente diferentes do meu”

Aos protagonistas do dia desejou que o diploma seja motivo de orgulho, mas também um convite à responsabilidade. “Que nos lembremos de que o conhecimento ganha ainda mais sentido quando contribui para compreender a realidade e ampliar as possibilidades de uma vida digna para todas as pessoas”.

 

 

 

Homenagem à paraninfa

Durante a cerimônia, os titulandos homenagearam a vice-reitora e paraninfa Rejane Nascentes com uma placa entregue pelo doutor em Arquitetura e Urbanismo Filipe Oliveira Paiva. A professora lembrou que recebeu o convite para ser paraninfa com “imensa alegria e honra” e agradeceu aos afilhados “pela confiança, carinho e oportunidade de compartilhar” com eles um momento tão significativo.

Em seu discurso, a vice-reitora reconheceu a ciência como “uma das ferramentas mais poderosas que a humanidade construiu para compreender o mundo, enfrentar problemas e abrir caminhos para o futuro”. E ressaltou: “está presente na saúde, na produção de alimentos, na preservação ambiental, na engenharia, na educação, na tecnologia e em tantas outras dimensões fundamentais da vida. Por isso, investir em ciência é investir na capacidade de um país construir as suas próprias soluções, enfrentar suas dificuldades e participar de maneira soberana da produção de conhecimento mundial”. É neste cenário que a UFV reafirma a sua missão, comentou.

A professora Rejane destacou ainda que a Cerimônia de Entrega de Certificados a novos mestres e doutores demonstra a importância de valorizar as conquistas acadêmicas e fortalecer os vínculos. “Celebrar a titulação coletivamente é reconhecer que, embora cada trajetória seja singular, ninguém constrói uma formação dessa dimensão inteiramente sozinho. Por trás de cada título, há orientadores, colegas, equipes de trabalho, instituições e familiares que oferecem apoio, compreensão e incentivo nos momentos mais difíceis”.

Ela lembrou aos afilhados que agora eles passam a integrar a história centenária da Universidade. “Que levem consigo o orgulho de pertencer à UFV e o compromisso de fazer do conhecimento uma força para o desenolvimento do Brasil e para o bem da humanidade”.

 

Votos da APG

À mesa oficial da cerimônia estavam, além da vice-reitora e do pró-reitor de pesquisa, o secretário de Órgãos Colegiados ad hoc, Thiago Mendonça; o diretor do Centro de Ciências Agrárias, Mario Luiz Chizzotti; a diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Karla Maria Damiano Teixeira; os representantes do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, respectivamente Wagner Luiz Araujo e Bruno Ricardo de Castro Leite Júnior.

Estava também a diretora de projetos da APG, Maria Clara Barbosa (foto ao lado), representando o diretor-geral da Associação, João Pedro dos Anjos Paixão, que enviou uma mensagem aos titulandos. A eles lembrou que “ser cientista e pesquisador no Brasil é assumir um compromisso com o futuro do país”. Desejou que “cada título recebido na cerimônia seja também um compromisso com a construção de uma sociedade na qual o conhecimento não seja privilégio, mas possibilidade; na qual a universidade pública permaneça aberta, democrática, plural e comprometida com as necessidades de seu povo.”

João Pedro manifestou o seu desejo de que cada titulando seja “um intransigente defensor da ciência, da pesquisa e das instituições de Ensino Superior onde o conhecimento é produzido, compartilhado e colocado a serviço da sociedade”. Além dos parabéns, desejou aos novos mestres e doutores que “tenham orgulho do caminho percorrido, mas nunca percam a inquietação diante dos caminhos que ainda precisam ser percorridos; que tenham coragem para fazer perguntas difíceis; liberdade para pensar, responsabilidade para ensinar, generosidade para compartilhar aquilo que aprenderam e jamais deixem de acreditar que a ciência, a educação e o conhecimento são instrumentos fundamentais para transformar o Brasil”.