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UFV na mídia: pesquisadores explicam por que manter probióticos vivos não garante seus benefícios à saúde

23/09/2026

Ao repercutir um artigo publicado na revista científica Journal of Food Science, da qual é coautor, o professor Evandro Martins, do Departamento Tecnologia de Alimentos da UFV, foi fonte para uma matéria publicada no site internacional The Primary. O estudo explica por que apenas manter os probióticos vivos nos alimentos não é suficiente para garantir sua eficácia no organismo.

Segundo os pesquisadores, quando os consumidores compram alimentos funcionais contendo culturas probióticas vivas, geralmente presumem que uma alta contagem de bactérias sobreviventes garante o benefício à saúde. No entanto, o percurso desses microrganismos da linha de produção até o intestino humano é mais complexo do que parece.

A pesquisa destaca que o tipo de alimento influencia diretamente a proteção dos probióticos. Os produtos lácteos — leite, iogurte e queijo, por exemplo — oferecem os melhores mecanismos de proteção física e química naturais. Por outro lado, alimentos de origem vegetal e produtos sólidos criam ambientes mais agressivos para esses microrganismos, exigindo tecnologias de proteção ativa.

Para superar esses limites, a ciência de alimentos tem desenvolvido soluções inovadoras. Uma das mais promissoras é a microencapsulação: técnica que isola as células bacterianas dentro de invólucros microscópicos, protegendo-as do estresse ambiental e garantindo sua liberação controlada no intestino. Outra estratégia é a criação de sistemas simbióticos, que combinam probióticos vivos a prebióticos (fibras alimentares não digeríveis que servem de alimento para as bactérias). O encapsulamento conjunto fornece combustível metabólico imediato aos microrganismos. O professor Martins e os demais pesquisadores observaram que essa combinação produz efeitos sinérgicos, reforçando a sobrevivência celular na fábrica e estimulando a atividade funcional no intestino.

Na reportagem do The Primary, o professor Evandro explicou ainda que os avanços na engenharia genética já permitem modificar diretamente o genoma microbiano para aumentar a tolerância ao estresse. Segundo os autores, a administração bem-sucedida de probióticos exige que a indústria combine cepas específicas, materiais de encapsulamento adequados e bioengenharia direcionada.