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Obra sobre pigmentos naturais rende ao professor Paulo Cesar Stringheta o Prêmio Jabuti Acadêmico

14/08/2026

Pela primeira vez, um livro assinado por um professor da UFV foi o vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico — categoria temática do tradicional Prêmio Jabuti, principal reconhecimento literário do país, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).

O professor e pesquisador Paulo Cesar Stringheta, do Departamento de Tecnologia de Alimentos, venceu a categoria Ciência de Alimentos e Nutrição com a obra Antocianinas: explorando cores, reações químicas, estabilidade, extração, biodisponibilidade e benefícios à saúde. Ele é também o único pesquisador mineiro a conquistar a premiação nesta edição.

Embora o Prêmio Jabuti exista desde 1958 voltado aos gêneros literários tradicionais, a premiação evoluiu ao longo do tempo para se adaptar às demandas do mercado editorial e reconhecer autores, ilustradores, livreiros e editoras. No entanto, a vasta e crescente produção científica no Brasil demandou a criação de um recorte específico.

Com o apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a CBL lançou o Prêmio Jabuti Acadêmico para valorizar livros acadêmicos, científicos, técnicos e didáticos que impulsionam o conhecimento no país. “O Prêmio Jabuti Acadêmico fundamenta-se na crucial importância dessa produção para o progresso cultural e científico de uma nação. As obras originadas desses campos desempenham um papel fundamental no avanço do conhecimento, no aprimoramento das práticas profissionais e no estímulo à inovação”, destaca o site da organização do evento.

 

Nesta edição, a categoria Jabuti Acadêmico recebeu mais de 2.900 inscrições de obras vindas de universidades e institutos de pesquisa de todo o país. Além da vitória de Stringheta, a UFV teve outros professores com trabalhos classificados entre os semifinalistas.

As antocianinas do professor Stringheta

As antocianinas são pigmentos vegetais naturais que pertencem à família dos flavonoides. Elas são as principais responsáveis pelas cores vermelha, roxa e azul em alimentos como berinjela, uva, repolho roxo, morango e ameixa. Mais do que aspecto visual na alimentação diária, essas substâncias oferecem diversos benefícios ao organismo graças às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Com isso, ajudam a combater os radicais livres — moléculas que aceleram o envelhecimento e danificam as células —, além de favorecerem a circulação sanguínea e a função cerebral, entre muitas outras .

Por serem compostos sensíveis a fatores, como calor e oxigenação, que podem degradar suas propriedades, o livro do professor Stringheta tornou-se um guia fundamental para estudantes, pesquisadores e indústrias interessadas no desenvolvimento de alimentos mais saudáveis.

Sempre a frente do Laboratório de Corantes Naturais e Compostos Bioativos, o professor da UFV conta que mais da metade das cerca de 170 teses e dissertações orientadas por ele abordam o tema. “É um resumo de décadas de pesquisas acadêmicas que começaram no meu doutorado na Unicamp e continuaram durante toda a minha carreira na UFV. O prêmio é um fecho de ouro para a minha trajetória como professor e pesquisador nessa área”, afirma ele, que se aposentará no próximo ano.

Stringheta destaca ainda que a obra homenageia seu orientador de doutorado, Paulo Anna Bobbio (1926-2001), um dos pioneiros no estudo de pigmentos naturais no país, que sempre o incentivou a compilar em livro o conhecimento acumulado ao longo das décadas.

A publicação reúne métodos industriais seguros de extração, técnicas para a obtenção de corantes limpos e estratégias para o melhor aproveitamento dos antioxidantes pelo organismo. Lançado pela Editora Appris, o livro tem quase 500 páginas e se destaca também pelo rigor e pela qualidade de sua produção gráfica.