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Professor e estudantes da UFV são únicos brasileiros participantes em curso oferecido por universidade da China

23/07/2026

O professor Odemir Vieira Baêta, do Departamento de Letras, está na China, onde participa da condução do Curso Internacional de Verão da Faculdade de Humanidades e Desenvolvimento Social, na Nanjing Agricultural University (NAU), na Província de Jiangsu. Ele é o único visitante estrangeiro convidado para compor a equipe de 18 pesquisadores chineses envolvidos no oferecimento do curso e, também, das celebrações dos 30 anos daquela faculdade.

A NAU é considerada a 26a melhor universidade do mundo nas áreas de Ciências Agrárias e Florestais, pelo QS World University Rankings, e é uma das 17 parceiras internacionais da UFV no Capes-Global.edu. De acordo com Odemir, o curso tem um enfoque de diálogo intercultural para entender os atuais modelos da agricultura chinesa. Dentre suas atividades, houve seminários, palestras, experiências culturais, grupos de discussões, trabalho de campo e visitas técnicas. O encerramento se dará com viagens e visitas a locais com legados históricos culturais, a maioria deles relacionada à histórica agricultura da China. O retorno para o Brasil está previsto para 29 de julho.

Além dos chineses, participam do curso de verão estudantes de 11 universidades estrangeiras. A da UFV tem a maior representação com quatro graduandos de Secretariado Executivo Trilíngue (SEC), como Lívia Souza Alencar Assis, que falou em nome da instituição na cerimônia de abertura do curso. Na comitiva também estava Isabela Vidon Ferreira de Almeida, pesquisadora colaboradora do CenTev que fez o discurso de encerramento. De acordo com Odemir, ela conduziu um acordo com o Parque Tecnológico da Universidade de Nanjing (Tuspark) e a UFV e participou da comitiva do governo brasileiro, organizada pelo Consulado, nos Centro de Inovação Tecnológica de Shanguai e no Parque Tecnológico de Sizhu.

A participação dos estudantes da UFV na NAU se deu por meio de etapas seletivas realizadas na Universidade e na NAU, e é decorrente, conforme o professor, de um movimento de internacionalização que vem acontecendo no SEC. Odemir é o atual coordenador da Liga Acadêmica de Relações Internacionais - UAI (União Acadêmica Internacional), por meio da qual, neste momento, está envolvido com a Diretoria de Relações Internacionais e a Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação nas negociações com uma universidade da França para viabilizar uma formação complementar em Relações Internacionais para os estudantes do curso.

 

Curiosidades 

Durante o tempo de estadia na Província de Jiangsu, Odemir constatou que a Nanjing Agricultural University e a UFV têm alguns aspectos em comum. Um deles é que a NAU se estruturou com quase os mesmos cursos da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav), que deu origem à Universidade Federal de Viçosa. Outro aspecto é a proximidade que os pesquisadores da NAU tiveram com a Universidade de Purdue, com qual a UFV também manteve um convênio entre as décadas de 1950 e 1970.

Curiosamente, segundo Odemir, embora a parceria oficial entre a UFV e a NAU tenha iniciado em 2019, a ligação entre as duas universidades existe há quase 100 anos. Isso porque o segundo diretor estrangeiro da Esav, John Benjamin Griffing, responsável pela internacionalização dos docentes da Escola com capacitação no exterior, teve importante contribuição nas pesquisas e gestão da Faculdade de Agricultura da NAU. De 1919 a 1926, ele atuou em Nanjing, na época capital da China.

Odemir conta que o professor estadunidense foi responsável por introduzir a Sociologia Rural na China, além de criar e chefiar o primeiro Departamento de Extensão Rural e desenvolver uma nova variedade de algodão. Griffing ficou conhecido por viajar toda a área rural da China com o seu "clube do algodão", apresentando diferentes práticas agrícolas relacionadas ao cultivo de algodão em terras altas e, também, pela distribuição de ovos de bichos-da-seda livres de doenças. Por isso, era chamado de professor GUO Renfeng.

Em Viçosa, Griffing chegou em 1938, atuando na Esav até 1939, quando se mudou para a Carolina do Sul, nos Estados Unidos, de onde orientava remotamente, até a década de 1950, trabalhos agrícolas realizados no Brasil.