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21/07/2026
O que prateleiras com diversas variedades de bananas, laranjas e tangerinas expostas no Circuito Agronomia: caminhos da produção, bem em frente ao Centro de Vivência, durante a Semana do Fazendeiro, têm a ver com o centenário da UFV? Tudo. Aí está uma interessante história que começou antes mesmo da inauguração da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav), em 1926. E vai além: laranjas e bananas estão também na gênese da criação da Semana do Fazendeiro.
Por isso, não é coincidência que, este ano, as prateleiras ocupem um bom espaço no Circuito Agronomia. Bem em frente a elas, cartazes contam que tudo começou com Peter Henry Rolfs, o criador da filosofia que até hoje norteia a UFV: a de que ensino, pesquisa e extensão caminham juntos para a formação de bons profissionais.

Um dos idealizadores da exposição interativa e professor da área de Fruticultura, Jackson Azevedo Souza, lembra que o pesquisador Peter Henry Rolfs veio da Flórida. Já no início da década de 1920, o estado norte-americano era um grande produtor de citros. Logo que chegou a Viçosa, ele identificou a semelhança entre os climas, conheceu as frutas tropicais como a banana e começou plantar espécies que acreditava ter um bom potencial agrícola. Foi assim que, no início das obras da Esav, Rolfs construiu um experimento de frutíferas onde hoje é o centro do campus Viçosa. "Quando a Esav foi inaugurada, em 1926, a área onde hoje é o Espaço de Convivência e o Departamento de Engenharia Florestal era um grande pomar de laranjas. Já os espaços agora ocupados pelas duas lagoas que se estendem até as Quatro Pilastras eram plantios de bananeiras", afirma o professor.
Jackson Azevedo conta também que os pomares de citros chamaram a atenção dos fazendeiros que passavam de trem pelo campus. O interesse pela ciência que sabia plantar, cuidar e fazer produzir bem as frutíferas levou os produtores da região a buscar conhecimento na Escola de Agronomia. Quando vinham em grupos, Rolfs preparava exposições de produtos para que eles pudessem conhecer as possibilidades genéticas das variedades, entre elas, as de citros e bananas. Foi assim que as reuniões e aulas práticas deram início à Semana do Fazendeiro, em 1929.
Cem anos depois, é justo que a história seja lembrada pelo setor que sempre teve importância para a Universidade e para o Brasil. Juntas, diferentes variedades de bananas e laranjas somam 40% do consumo de frutíferas no mundo e estão entre os produtos mais consumidos e exportados pelo país. “Nossa atenção especial a bananas, laranja e tangerinas este ano é uma homenagem a esta origem do evento”, afirma Mateus Pereira Gonzatto, também professor da fruticultura do Departamento de Agronomia. Ele lembra ainda que o primeiro registro histórico do cultivo de um citros enxertado no Brasil - um grapefruit/ pomelo - ocorreu na antiga Esav, sob a liderança de Peter Henry Rolfs. Mais tarde, na década de 1930, Rolfs publicou os primeiros estudos sobre o limoeiro Cravo, consolidando a importância dos porta-enxertos na citricultura nacional.

Com isso, quem visita o Circuito Agronomia aprende que há variedades de frutas para todos os gostos. Os brasileiros, por exemplo, gostam de bananas mais ácidas, como a Prata, enquanto os americanos preferem o produto sem nenhuma acidez, como a Nanica — que, embora produza frutos grandes, tem esse nome porque as bananeiras são bem menores que a maioria das outras variedades. A UFV conta com um banco de germoplasma com uma ampla coleção de variedades, mas apenas as mais conhecidas estão em exposição.
Na prateleira das laranjas, é possível ver que as primeiras variedades eram grandes como um melão ou melancia. Com os cruzamentos feitos ao longo dos séculos em todo o mundo, foram ganhando novos formatos, cores, texturas e sabores para todos os gostos. Algumas são boas para exportação, outras para comer ao natural ou fazer doces muito comuns em diferentes estados do Brasil. Os nomes populares também mudam conforme a região, mas a importância delas para o comércio e para a saúde atravessa os séculos, assim como a história da Universidade.

A homenagem à tradição agrícola mais antiga da UFV é apenas uma parte do que oferece ao público o Circuito Agronomia: caminhos da produção. Lá estão também os setores de plantas ornamentais, cafeicultura, olericultura e grandes plantios comerciais. Em todos eles, é possível observar a imensa variedade de produtos que já passaram por inúmeros melhoramentos genéticos — muitos deles frutos da ciência realizada na UFV — ou dos quais derivaram outros produtos de importância econômica, como temperos e óleos essenciais.
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