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09/04/2026
A recente missão do programa Artemis, que levou quatro astronautas a circundar a Lua, inaugurou uma nova etapa da exploração espacial. O objetivo agora é estabelecer uma presença humana sustentável e de longo prazo no satélite natural da Terra e, a partir dele, viabilizar futuras viagens a Marte. Para isso, dois desafios essenciais precisam ser resolvidos: como alimentar astronautas em longas missões fora da Terra? É possível produzir alimentos fora do planeta?
Como referência em pesquisas sobre agricultura, a UFV não poderia ficar fora de mais este desafio. Por isso, a Universidade já está participando do Space Farming Brazil, uma rede de pesquisa que busca soluções inovadoras para a produção de alimentos em ambientes extraterrestres.
Os professores Marliane e Guilherme, à esquerda e o pesquisador Juscimar irão fazer pesquisas envolvendo solos e plantasLiderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com apoio da Agência Espacial Brasileira, a iniciativa reúne cientistas empenhados em desenvolver sistemas agrícolas adaptados às condições extremas do espaço, como alta radiação, baixa gravidade e ausência de solo fértil. O programa trabalha tanto na perspectiva de produzir alimentos dentro das naves espaciais quanto em solo lunar. Mais do que viabilizar a vida fora da Terra, a expectativa é que essas pesquisas também gerem tecnologias capazes de enfrentar desafios da agricultura em nosso próprio planeta, especialmente diante das mudanças climáticas.
Na UFV, os professores Marliane Soares da Silva, do Departamento de Microbiologia; Guilherme da Silva Pereira, do Departamento de Agronomia, e Juscimar da Silva, pesquisador da Embrapa e atualmente professor colaborador no Departamento de Solos, pretendem atuar em caminhos distintos, porém, complementares.
A professora Marliane estuda fungos micorrízicos com potencial para transformar solos pobres, como os regolitos lunares, em ambientes mais favoráveis ao crescimento de plantas. Os experimentos serão realizados em solos de regiões áridas do Brasil, que apresentam características semelhantes às da superfície lunar. “Esses fungos podem modificar a microbiota do solo, introduzindo microrganismos capazes de melhorar sua qualidade”, explica a pesquisadora. Os resultados, além de contribuir para a agricultura espacial, podem beneficiar áreas de baixa fertilidade no território brasileiro.
Por sua vez, o professor Guilherme aposta em ferramentas moleculares para detectar os efeitos de microgravidade, ultravácuo e radiação cósmica no DNA de espécies vegetais e desenvolver plantas mais tolerantes a estresses e capazes de produzir alimentos em condições extremas. O objetivo vai além de suprir as necessidades nutricionais de astronautas: trata-se de criar tecnologias que ampliem as fronteiras da agricultura, dentro e fora da Terra.
Já o pesquisador Juscimar Silva está responsável por desenvolver um protótipo de cultivo de hortaliças por meio de hidroponia ou outros sistemas de produção em microgravidade ou gravidade lunar.
Foto: NasaPor enquanto, os projetos da UFV vinculados ao Space Farming Brazil ainda dependem de financiamento para avançar, mas, se depender da Universidade, a comida cultivada para missões espaciais pode ter raízes no solo brasileiro.

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