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27/02/2026
Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Economia Rural da UFV venceu a categoria Mestre e Doutor da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista, que teve como tema Resposta às Mudanças Climáticas: Ciência, Tecnologia e Inovação como Aliadas. A cerimônia de premiação ocorreu nessa quinta-feira (26), em Brasília. O trabalho foi desenvolvido durante o doutorado em Economia Aplicada de Elizângela Aparecida dos Santos, orientada pelo professor Dênis Antônio da Cunha (foto abaixo)
A pesquisa identificou que municípios com maior acesso da população à saneamento básico, adoção de práticas agroecológicas, diversificação da renda entre produtores rurais, presença de mulheres à frente das prefeituras e participação em associações agropecuárias apresentam maior resiliência às mudanças climáticas. O estudo foi motivado pela constatação de que, em geral, as análises sobre impactos climáticos são realizadas em escalas amplas e setoriais, deixando lacunas importantes no nível municipal. “A vulnerabilidade climática não é homogênea: ela é local, socialmente determinada e varia conforme as características econômicas, institucionais e estruturais de cada território. Nosso objetivo foi identificar quais municípios brasileiros são mais vulneráveis e quais são mais resilientes, além de compreender os fatores que explicam essas diferenças”, explicou Elizângela.

Segundo o professor Dênis, já se sabia que todos os setores — especialmente a agropecuária — são afetados pelas mudanças climáticas e que eventos extremos, como secas prolongadas e aumento das temperaturas, comprometem a produção e a estabilidade socioeconômica. No entanto, municípios expostos ao mesmo nível de risco podem apresentar capacidades de resposta distintas. “A ideia foi analisar essa dinâmica em escala municipal para todo o Brasil, criando um índice integrado de vulnerabilidade e identificando territórios resilientes inseridos em contextos regionalmente vulneráveis”, destacou.
Para realizar o mapeamento, a pesquisadora desenvolveu uma metodologia baseada em três componentes principais: suscetibilidade, capacidade de enfrentamento e capacidade adaptativa, por meio de indicadores ambientais, socioeconômicos e demográficos. Os resultados demonstraram que a resiliência climática não depende apenas da exposição ao risco ou do nível de desenvolvimento econômico, mas, sobretudo, da capacidade adaptativa local e da qualidade das respostas institucionais e sociais. “Identificamos municípios altamente expostos a extremos climáticos, como secas e altas temperaturas, que, ainda assim, apresentaram baixos níveis de vulnerabilidade. Isso reforça que resiliência não é ausência de risco, mas sim capacidade de reorganização e resposta eficaz”, afirmou a pesquisadora, que também é professora da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), campus Unaí.
Entre as características comuns aos municípios resilientes estão a menor dependência exclusiva da renda agrícola, maior acesso à eletricidade, participação em associações e sindicatos rurais, diversificação das fontes de renda, adoção de práticas agrícolas conservacionistas e presença de mulheres na liderança municipal. Esses fatores ampliam a capacidade adaptativa e contribuem para a estabilidade econômica e social, mesmo em contextos de elevada exposição climática.
Além da contribuição científica, o estudo traz implicações diretas para políticas públicas. “Ao evidenciar que a redução da vulnerabilidade climática depende de investimentos em assistência técnica, acesso à eletricidade, incentivo a práticas agroecológicas, fortalecimento institucional e planejamento territorial participativo, ampliamos o debate sobre justiça climática”, ressaltou Elizângela.
Os primeiros resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico Journal of Environmental Science and Technology. A metodologia desenvolvida gerou um índice de vulnerabilidade climática municipal, disponibilizado gratuitamente pelos autores.

Para Elizângela, de 32 anos, receber o Prêmio Jovem Cientista representa o reconhecimento de uma trajetória dedicada ao estudo das mudanças climáticas desde a graduação e reforça a importância de análises microterritoriais para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade. “A premiação amplia a visibilidade do tema, fortalece minha atuação como pesquisadora e reafirma meu compromisso com uma ciência voltada à transformação social e à promoção da justiça climática”, concluiu.
O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Há mais de 40 anos, a premiação revela talentos, impulsiona a pesquisa no país e investe em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução dos desafios da sociedade brasileira. A cada edição é indicado um tema importante para o desenvolvimento científico e tecnológico, com prioridade nacional, que atenda às políticas públicas do governo federal e seja de relevância para a sociedade brasileira.
Fotos: Divulgação do evento
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