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Dia de Campo da Semana do Fazendeiro destaca protagonismo da UFV no melhoramento genético do feijão

23/07/2026

Quem participa de um dos seis dias de campo, promovidos durante a Semana do Fazendeiro, aprende técnicas, tira dúvidas e conversa com especialistas, mas também conhece as contribuições científicas que consolidaram a UFV como uma das melhores universidades do país. Nesta quinta-feira (23), por exemplo, produtores e estudantes que participaram da atividade Manejo da cultura do feijão: estratégias de alta produtividade descobriram que o feijão-vermelho, amplamente consumido no país, teve sua linhagem aperfeiçoada na instituição. Diversas variedades populares no mercado brasileiro surgiram de experimentos realizados na UFV — e novas opções já estão em desenvolvimento.

Durante a programação, os participantes tiveram a oportunidade de interagir diretamente com os melhoristas responsáveis por essas criações. “Essa convivência é um privilégio”, destaca o professor Reberth Renato da Silva, da nova geração de pesquisadores, que compartilhou essa trajetória com o público.

Ele relembra que o feijão-vermelho mais primitivo era comum na culinária da Zona da Mata mineira, mas cultivado apenas para subsistência por produzir um caldo mais encorpado. Na década de 1950, o professor Clibas Vieira iniciou o melhoramento genético da cultura para torná-la viável comercialmente e de fácil cultivo. Já nos anos 2000, os professores José Eustáquio e Pedro Carneiro (foto abaixo) avançaram nos cruzamentos genéticos e lançaram a variedade Ouro Vermelho, 30% mais produtiva, de cozimento rápido e excelente rendimento de caldo.

Os docentes do Departamento de Agronomia (DFT) integram o Programa Feijão, que busca gerar soluções tecnológicas para a cadeia produtiva, com foco em fitotecnia e melhoramento genético avançado. Recentemente, os pesquisadores da UFV lançaram a variedade Marte, também de grão vermelho, mas com arquitetura de planta adaptada à colheita mecanizada.

“Além das atividades na Semana do Fazendeiro, a Universidade promove Dias de Campo ao longo de todo o ano, inclusive fora das épocas de plantio e colheita, para ouvir as demandas dos produtores e, assim, direcionar novas pesquisas para o desenvolvimento de cultivares”, ressalta o professor Eustáquio. O próximo passo do programa é lançar no mercado variedades de grãos grandes (como os do tipo andino), pouco consumidas no Brasil, mas com alta demanda no mercado internacional, agregando características comerciais ideais para a exportação. Quem participar da Semana do Fazendeiro no próximo ano já deverá encontrar novidades prontas para serem levadas ao campo.

Além do  feijão, a programação da Semana do Fazendeiro deste ano promoveu outros cinco dias do campo, sobre atividade leiteira, cafeicultura, macaúba, fruticultura e bovinocultura do leite.