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21/07/2026
Patrimônio cultural brasileiro, a cachaça costuma ter uma produção baseada em conhecimento acumulado por gerações, passando de avô para pai e de pai para filho. Se até há alguns anos essa tradição não significava um problema, hoje já não é garantia de mercado, já que a cachaça precisa atender normas legais exigidas para a sua produção e comercialização. E foi para discutir a necessidade de se adequar a essas normas que o Intituto Mineiro de Agropecuária (IMA) promoveu, nesta terça-feira (21), no auditório da Biblioteca Central, um evento inédito na Semana do Fazendeiro: o Workshop da Cachaça Mineira.
Com atividades téoricas e práticas, sua programação girou em torno do aprimoramento da produção, da regularização e da qualidade do produto. Isso se faz necessário, porque, embora Minas Gerais seja o estado que mais produz e exporta cachaça, ainda há cerca de 80% a 90% de produtores irregulares, segundo conta Wagner Dibai, fiscal agropecuario do IMA e um dos organizadores do workshop.
A maior parte dos mais de 130 inscritos no workshop era produtor, que, de forma gratuita, teve acesso a pesquisas de professores das universidades federais de Viçosa (UFV), Lavras (Ufla) e Minas Gerais (UFMG) decodificadas em quatro palestras. Também puderam se informar sobre trabalhos e projetos como O legal merece um brinde, lançado em 2020, pelo IMA, para divulgar a importância do consumo de produtos seguros, de qualidade, registrados e que atendam à legislação.
Entre os participantes do workshop estava Douglas Moreira de Resende, produtor da cachaçaria Sô Nicó, de Dores do Turvo (MG). Assim como seu avô, que deu nome à cachaça, e seu pai, Douglas também administrava o alambique da família sem regularizá-lo, apenas seguindo a tradição. Uma fiscalização do IMA, porém, em 2019, acabou fechando, temporariamente, o seu negócio por falta de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com investimentos e apoio técnico da Emater, o alambique da família foi regularizado e renasceu para o mundo. Em seis anos de registro, a Sô Nicó é comercializada atualmente para todo o país e contabiliza 23 premiações nacionais e internacionais. O alambique produz entre 25 mil e 30 mil litros por ano.
Sobre o workshop, Douglas o avaliou como muito importante para a obtenção de conhecimento. E justificou: “a cachaça da nossa região vem da agricultura familiar. Nossos antepassados não tiveram tanto conhecimento e orientação como a gente está tendo agora, principalmente nos últimos cinco anos”. Em sua opinião, a universidade tem um papel muito importante: “a gente é produtor, mas quem faz as análises fisico-quimica são as universidades; são elas que vão dar um norte pra seguirmos e fazermos as coisas cada vez melhor.”
Douglas também considerou o workshop como a abertura de uma oportunidade para os produtores se aproximarem do campus Viçosa da UFV, o qual considera “o quintal” de sua região, hoje, segundo ele, a maior produtora de cachaça do país. “Estamos muito perto, a cerca de uma hora da UFV. Na região, são 77 produtores em nove cidades num raio de menos de 100 quilômetros”. Douglas vem se empenhando, junto a eles, em um trabalho de conscientização sobre a necessidade de se unirem para valorizar ainda mais a cachaça da região.
O fiscal Wagner Dibai lembra que a cachaça é considerada um alimento e precisa ser tratada como tal. A exemplo de outros alimentos, a garantia de sua qualidade também se dá por meio da inspeção e do selo do Mapa, que indica a aprovação do produto em todos os processos, atendendo às normas higiênico-sanitárias de produção. Ainda há, segundo Wagner, um grande número de produtores de cachaça que ainda não legalizou o seu negócio, muitas vezes, por falta de conhecimento, por considerarem que isso encarecerá demais o produto, quando o que acontece é exatamente o contrário.
Com a regularização, ele explica, os produtores ganham mercado, notoriedade e podem participar de concursos, dando visibilidade ao seu produto, como aconteceu com a Sô Nicó. Por isso, Wagner considera importante que os produtores tenham acesso fácil à informação para entenderem o processo, o que foi a proposta do workshop realizado na 96a emana do Fazendeiro.
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