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20/03/2026
A Fungal Biology, revista da tradicional British Mycological Society, publicou, esta semana, a descoberta de um novo fungo parasita de aranhas na Mata da Biologia e no Recanto das Cigarras, áreas de floresta localizadas dentro do campus Viçosa da UFV. A espécie foi batizada pela equipe do Laboratório de Ecologia e Comportamento da Universidade (Labecom) de Gibellula mineira. O fungo pertence a um grupo conhecido por infectar aranhas e manipular seu comportamento, transformando os hospedeiros em verdadeiros “zumbis”.
A descoberta se deu durante o mestrado da estudante Aline dos Santos, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPG Ecologia), sob orientação da pesquisadora de pós-doutorado Thairine Mendes Pereira, do Departamento de Entomologia (DDE), e do professor Thiago Gechel Kloss, do Departamento de Biologia Geral (DBG), e contou também com a participação da aluna de Iniciação Científica Camila Ribeiro (na foto abaixo, um registro das estudantes, durante expedição noturna de coleta da nova espécie).
As coletas do fungo foram iniciadas na Mata da Biologia em 2024 e, até a conclusão de que se tratava de uma nova espécie para a ciência, se passou mais de um ano. O processo envolveu comparações com outras espécies do grupo, com base tanto na morfologia quanto no perfil genético dos indivíduos.
Além da descrição morfológica e da análise filogenética da nova espécie, a pesquisa investigou ainda o impacto do fungo na população da aranha hospedeira Iguarima censoria, encontrada nas áreas de floresta do campus.
Os resultados revelaram uma alta prevalência do fungo na população da aranha hospedeira: cerca de 25% delas estavam infectadas. Outro resultado que surpreendeu os pesquisadores foi que aranhas menores apresentaram maior probabilidade de serem parasitadas, um padrão inesperado que levanta novas questões sobre a dinâmica da interação entre o fungo e suas aranhas hospedeiras.
De acordo com os pesquisadores, o estudo amplia o conhecimento sobre as interações entre fungos parasitas e aranhas em florestas tropicais. Além disso, mostra que, mesmo fragmentos de floresta inseridos em ambientes urbanos, como os presentes no campus da UFV, ainda podem revelar novas espécies para a ciência e contribuir para o conhecimento da biodiversidade da Mata Atlântica.
O artigo The silent hunters of spiders: discovering a new Gibellula (Ascomycota: Cordycipitaceae) fungus in the Brazilian Atlantic forest pode ser acessado em www.sciencedirect.com.
Nas fotos acima, a aranha Iguarima censoria não parasitada na vegetação (A) e em seu abrigo na folha (B); aranha morta e parasitada por Gibellula mineira em estágio inicial de infecção (C) e indivíduo com a colônia do fungo completamente desenvolvida, cobrindo o hospedeiro (D).
Fotos: arquivo pesquisadores
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