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Pesquisa identifica molécula-alvo para controle de pragas agrícolas e é a mais citada em revista científica

28/07/2022

A lagarta-da-soja é um grande problema para a cultura no Brasil Foto: Steve Brown (Forestry Images)

Um artigo publicado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica Aplicada, em 2019, acaba de ser premiado por ter sido o mais citado na Revista Archives of Insect Bioochemistry and Physiology, por dois anos seguidos, 2020 e 2021. O trabalho traz novidades sobre uma importante praga da soja e gerou patente de uma substância que poderá ser usada no controle de pragas agrícolas de forma eficiente e ecologicamente correta.

Para compreender a interação inseto-planta, os pesquisadores usaram como modelo a soja, produto de grande impacto econômico para o Brasil, e a Anticarsia gemmatalis, uma praga usualmente conhecida como lagarta-da-soja e responsável por sérios danos à planta.

Neilier Rodrigues da Silva Júnior, o primeiro autor do trabalho, explica que as plantas naturalmente já possuem mecanismos naturais de defesa contra herbívoros. Um deles é a capacidade de produzir inibidores de protease, uma molécula que compromete a digestão, dificultando a nutrição e o desenvolvimento desses insetos. Por isso, os objetivos da pesquisa foram avaliar os perfis enzimáticos das proteases intestinais da lagarta-da-soja e identificar quais são as principais proteases-alvos para, enfim, compreender como esse complexo inibidor é importante para o controle dessas pragas agrícolas.

Os resultados, segundo Neilier, quebraram o paradigma que, até então, considerava as serino-proteases como único alvo importante no controle de lepidópteras, ordem à qual pertence a lagarta-da-soja. A novidade do trabalho foi identificar as proteases-alvos para, só assim, entender como as enzimas se ligam a elas. “Concluímos que, de fato, as serino-proteases representam um importante alvo no manejo dessas pragas, mas apenas nos estágios mais tardios da fase larval. Isso impactou o foco do desenvolvimento racional de inibidores de proteases para A. gemmatalis e outras lepidópteras, uma vez que a expressão das principais proteases não é constante como se imaginava”, conta o pesquisador.

De acordo com Neilier, o estudo, orientado pela professora Maria Goreti de Almeida Oliveira, abriu caminhos para que os pesquisadores propusessem novos inibidores de protease que podem ser construídos em laboratórios. Foi o que fez Neilier no seu doutoramento, concluído em junho deste ano. Ele criou uma substância muito semelhante a que é produzida pela planta, só que mais potente e ambientalmente mais favorável, uma vez que é biodegradável. O pesquisador lembra ainda que a tecnologia tem potencial para ser aplicada a outros herbívoros considerados praga para diferentes culturas e não somente para a soja. “O mercado está em busca de formas mais naturais de controle de pragas agrícolas e esta tecnologia poderá, em breve, ser usada nos plantios de culturas importantes”, avalia Neilier.

Divulgação Institucional

A pesquisa citada nesta matéria está alinhada ao item 12 (Garantir padrões de consumo e de produção sustentáveis) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

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