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07/10/2021
O manejo de incêndios florestais exige técnica e treinamento
O Brasil está passando por um ano de seca extrema e muitos incêndios, que provocam graves danos ambientais e para a saúde. Controlar o fogo e até mesmo promover uma queimada prescrita exige ciência e muito treinamento. Fornecer conhecimento sobre incêndios é o objetivo de três iniciativas promovidas pelo Grupo de Pesquisas em Incêndios Florestais da UFV. Nos últimos dois meses, o Grupo participou de três convênios para criação de normas e orientação de treinamentos.
Em meados de agosto, o grupo concluiu um Manual de Prevenção e Combate de Incêndios Florestais elaborado para a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O Manual apresenta, de forma bastante didática, um roteiro para que os funcionários promovam ações nas áreas florestadas onde estão as usinas e instalações da Cemig. Todas as técnicas podem ser empregadas em qualquer área florestal. O material é público, pode ser consultado no site da Companhia e ainda apresenta orientação para formação de brigadas de incêndio.
Segundo Fillipe Tamiozzo Torres, professor do Departamento de Engenharia Florestal (DEF) da UFV, o Manual é resultado de muitas pesquisas e novos conhecimentos para lidar com incêndios. Os autores são professores do DEF e pesquisadores da Universidade de Coimbra e da Comunidade Intermunicipal de Alto Minho, em Portugal.
O Grupo de Pesquisas em Incêndios Florestais também foi convidado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para elaborar um documento normativo para orientar o manejo de incêndios no país. A Prática Recomendada ABNT PR 1014 aborda informações sobre característica dos incêndios, medidas preventivas, qualificação e capacitação das equipes combatentes, utilização dos equipamentos de proteção individual, coletivos e ferramentas, bem como os aditivos para água de combate, as viaturas e aeronaves usadas nas operações, procedimentos básicos de combate e plano de proteção. A normativa deverá ser seguida por órgãos estaduais, municipais e agentes privados.
Em setembro, os pesquisadores também estabeleceram um convênio com a ISAViçosa, a organização responsável pela gestão do Parque Municipal do Cristo Redentor de Viçosa. O convênio prevê a criação de um plano de prevenção e contenção de incêndio, formação de brigadas, treinamentos e um monitoramento contínuo do parque. A região é muito suscetível a incêndios e contém áreas com características diferentes que exigem técnicas específicas de monitoramento. Os pesquisadores do DEF farão um banco de dados e disponibilizarão mapas e ferramentas para acompanhamento de queimadas e das condições meteorológicas. O convênio tem duração de um ano, mas poderá ser prorrogado. De acordo com Fillipe Tamiozzo, o objetivo é orientar para que os técnicos saibam alimentar os bancos de dados e ter autonomia para ações de prevenção e combate.
O Grupo de Pesquisas é formado pelos professores Fillipe, Gumercindo Souza Lima e estudantes de mestrado e doutorado.
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