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28/08/2019
Pesquisadores da UFV irão, pela primeira vez no Brasil, estudar as variedades da cannabis medicinal. O objetivo é conhecer as condições ideais para o cultivo e, em breve, produzir plantas melhoradas geneticamente para produzirem maior quantidade do canabidiol. A substância é usada na fabricação de remédios anticonvulsivantes, sedativos e analgésicos para pacientes portadores de síndromes raras e de doenças de difícil tratamento com terapias tradicionais.
Enquanto em outros países a cannabis sativa, conhecida popularmente como maconha, pode ser cultivada para produção de medicamentos, no Brasil o plantio controlado ainda depende de autorização judicial. Na UFV, desde 2018, uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, formada por oito professores dos Departamentos de Fitotecnia (DFT), Fitopatologia, Bioquímica, Medicina e Enfermagem, Biologia, Direito e Ciências Sociais procurava autorização para realização de pesquisas. Agora, elas serão feitas em parceria com a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que possui esta autorização e, atualmente, fornece medicamentos para mais de 2400 pessoas que têm prescrição médica de uso.
A parceria, liderada pelo professor Derly Henriques da Silva (DFT), dará início a uma série de pesquisas para estudo agronômico e genético do comportamento destas plantas. Ele explica que as variedades de cannabis produzem quantidades diferentes de substâncias como o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) que são usadas nos medicamentos. Além disso, no Brasil, muito pouco se sabe sobre as condições ideais de cultivo para que as plantas produzam com mais qualidade. “Tanto os canabinóides quanto o THC são óleos que derivam do metabolismo secundário da planta, ou seja, dependem muito das condições climáticas e por aqui ainda não conhecemos as condições ideais e nem mesmo as variedades disponíveis. Este será nosso primeiro passo”, disse ele.
A caracterização agronômica será feita pelo pesquisador Sérgio Barbosa Ferreira Rocha, orientado pelo professor Derly. A pesquisa contará com o apoio financeiro da Abrace Esperança. Em um ano, será possível identificar as variedades, suas características comportamentais quais as condições ideais de solo, adubação, irrigação e luminosidade para o cultivo. Os próximos passos, segundo Derly Henriques, será investir em plantas melhoradas geneticamente para produzir as substâncias desejáveis para os medicamentos.
Na semana passada, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enviou ao Ministério da Saúde e ao Conselho Federal de Medicina uma moção pedindo uma regulamentação compassiva e não-excludente do uso medicinal dos constituintes químicos da Cannabis, responsáveis pelas propriedades terapêuticas. Na justificativa, é exposto que o uso medicinal e seguro da substância só poderá ser garantido pelo plantio em condições controladas da Cannabis e pelo processamento de separação e quantificação das frações ativas, buscando a produção nacional dessas substâncias para uso medicinal.
Léa Medeiros
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