Humanas e Sociais

Campus Viçosa

Pesquisadores estudam o patrimônio cultural de Viçosa

21/05/2019

Um município que não preserva seu patrimônio não tem memória. É seguindo este pressuposto que os mais importantes e significativos bens materiais são tombados nas cidades, a fim de preservar uma identidade estética e coletiva. É por isso que Viçosa assinou, em outubro de 1996, a lei municipal 1.143/96, que estabelece normas para proteger o patrimônio histórico, artístico, paisagístico, arqueológico, paleontológico, turístico, cultural, científico e ambiental do município. Por essa lei, são protegidos o balaústre da avenida Bueno Brandão, por exemplo, as casas 119 e 129 da rua Gomes Barbosa, o hospital São Sebastião e muitos outros, além da Casa Arthur Bernardes, que é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA - MG).

Este foi o tema da pesquisa de mestrado feita pela graduada em História Walkiria Maria de Freitas, orientada pelo professor Leonardo Civale, do Departamento de Geografia (DGE). Juntos, eles estudaram as políticas patrimoniais do município de Viçosa entre 1980 e 2010, e o resultado final foi publicado na revista Espaço e Cultura, editada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “Discutimos questões relacionadas à seleção de memórias, formação de identidade, especulação imobiliária, disputas políticas e atuação do Conselho Municipal de Patrimônio”, conta Walkiria. Além da dissertação defendida defendida no Mestrado Profissional em Patrimônio Cultural, Paisagens e Cidadania do Departamento de História da UFV, a dupla também produziu um curso de capacitação para professores e um material paradidático para trabalhar aspectos relacionados ao patrimônio cultural de Viçosa.

A pesquisa embasou-se na análise de fontes primárias, como textos publicados no jornal viçosense Folha da Mata. Foram utilizados, também, documentos do Departamento de Cultura e Patrimônio Histórico da Prefeitura Municipal de Viçosa (PMV), além da análise teórica e metodológica do trabalho de diversos teóricos das Ciências Humanas, sobretudo das áreas de História, Sociologia e Antropologia.

Desde a federalização da antiga ESAV, que tornou-se UFV em 1969, o município de Viçosa sofreu uma significativa mudança demográfica. A população mais do que triplicou nos últimos 50 anos, passando de 25 mil habitantes em 1970 para 77 mil em 2014 (Instituto CENSUS). Além disso, a cidade se diversificou, pluralizou e, acima de tudo, verticalizou. No artigo, os pesquisadores apontam este fato como um dos principais motivos para que fossem tombados os patrimônios: com a chegada em grande número de “forasteiros”, foi necessário reforçar a cultura local do município.

No entanto, não existe unanimidade em relação ao assunto. O artigo destaca o fato de que, embora a preservação de patrimônios afete a cidade como um todo, são os órgãos públicos que selecionam, a partir de seus critérios, o que será ou não protegido. “Muitos grupos sociais defenderam ideias diferentes para a cidade”, conta Walkiria, que concluiu em sua pesquisa que foram privilegiados alguns bens em detrimento de outros. Por outro lado, de acordo com a autora Françoise Choay, citada no artigo, existiria um grande risco de se perder o sentido do patrimônio caso a sociedade quisesse preservar e valorizar tudo. Permeando essas questões, a pesquisa se coloca como um importante instrumento de reflexão sobre a prática ocidental de selecionar quais serão as “heranças” preservadas para as gerações futuras. O texto completo pode ser lido no site do periódico da UERJ.

Davi Medeiros

Divulgação Institucional

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