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Pesquisa alerta para aumento de eventos extremos de chuvas nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul

25/03/2019

Os eventos extremos são ainda mais perceptíveis na Bacia do Rio Doce. Foto: Igam

A ocorrência de eventos extremos é uma característica das mudanças climáticas. São tempos de muito frio, muito calor, chuvas e secas intensas. Uma dissertação de mestrado, defendida recentemente na UFV, dá mais um passo para a comprovação do fenômeno e ainda alerta: eventos climáticos extremos já podem ser notados nas principais bacias hidrográficas do Sudeste do Brasil e isso pode ter consequências para  o abastecimento das principais regiões metropolitanas do país.

A pesquisa foi realizada pela mestranda Gabriela Regina Ferreira e orientada pelo professor Flávio Justino, do Departamento de Engenharia Agrícola. Eles analisaram índices de frequência, duração e intensidade de chuvas no período entre 1980 e 2015 nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul. “São bacias que abastecem as populações das maiores cidades no Brasil nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo”, disse Gabriela.


O estudo concluiu que na região sudeste as chuvas estão diminuindo em quantidade e frequência, mas aumentando em intensidade. Os  eventos extremos são ainda mais perceptíveis na Bacia do Rio Doce. “Há uma tendência positiva para dias de chuvas muito intensas que provocam  danos ambientais e inundações urbanas. Chove menos, mas o pouco que cai é muito intenso”, afirma Flávio Justino. 

Nestas regiões o fenômeno conhecido como veranico, que são períodos longos de seca, estão mais frequentes. Assim, as plantas perdem mais água para a atmosfera (evapotranspiração), ficam mais secas, demandam mais irrigação e a oferta de água nos rios fica menor. Os pesquisadores explicam ainda que a distribuição espaço-temporal das  chuvas e seus extremos também se refletem na geração de energia elétrica, abastecimento doméstico e industrial, agricultura, navegação, recreação, turismo, aquicultura, piscicultura, dessedentação de animais e, até mesmo, para a assimilação e condução de esgotos.

A pesquisa gerou dados que podem ser utilizados por estados e municípios abarcados pelas duas bacias hidrográficas. A pesquisadora Gabriela Ferreira espera que os resultados colaborem para o monitoramento do regime da precipitação, a mitigação de desastres naturais e sociais em escalas locais e o provimento de água para os múltiplos usos no Sudeste do país.

Léa Medeiros
Divulgação Institucional

 

 

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