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Pesquisa associa probiótico e prebiótico e reduz lesões pré-neoplásicas no cólon de camundongos

27/06/2018

Bruna é orientada pela professora Maria do Carmo

Um trabalho desenvolvido no Laboratório de Bioquímica Nutricional, do Departamento de Nutrição e Saúde (DNS) da UFV, foi considerado o melhor do III Congresso Brasileiro de Doenças Funcionais do Aparelho Digestivo, realizado há pouco mais de um mês, em São Paulo. Intitulado "O probiótico VSL#3 associado a um produto concentrado à base de yacon promove a modulação do estresse oxidativo, aumento das concentrações dos ácidos graxos de cadeia curta e redução da incidência de lesões pré-neoplásicas no cólon de camundongos", o trabalho é resultado da pesquisa de mestrado da nutricionista Bruna Cristina dos Santos Cruz. Pesquisa que ela vem dando continuidade no doutorado em Ciência da Nutrição, novamente sob orientação da professora Maria do Carmo Gouveia Peluzio.

A premiação no Congresso é o reconhecimento por mais uma significativa contribuição da UFV na correlação entre alimentos funcionais e saúde humana. Neste caso específico, a correlação diz respeito à microbiota intestinal, tema que, há cerca de cinco anos, tem sido um dos principais objetos de estudo da professora Maria do Carmo. Ela, inclusive, é uma das organizadoras do livro Microbiota Gastrintestinal - Evidências da sua Influência na Saúde e na Doença, lançado em 2015, que será reeditado no próximo ano.

De acordo com as pesquisadoras da UFV, a microbiota intestinal está associada à gênese de diversas doenças gastrintestinais, inclusive o câncer de cólon, o segundo com maior incidência entre as mulheres no Brasil e o terceiro entre os homens. É no intestino grosso que se encontra o maior reservatório de microrganismos do trato digestivo. Daí a necessidade de assegurar o seu equilíbrio para evitar a proliferação de bactérias nocivas ao organismo. E uma das estratégias apontadas pela ciência, nos últimos anos, para isso, tem sido o uso de probióticos, prebióticos ou simbióticos (que associam os dois). Eles estão entre os “ingredientes” aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com indicação de funcionalidade, ou seja, de alimentos promotores da saúde.

Na pesquisa apresentada no Congresso de São Paulo, um dos objetivos era investigar os efeitos do uso de probiótico e simbiótico no desenvolvimento de lesões precursoras do câncer colorretal em camundongos. Havia também o desejo de esclarecer os potenciais mecanismos envolvidos na proteção conferida pelo probiótico e/ou simbiótico. O estudo foi realizado em parceria com a professora Célia Lúcia de Luces Fortes Ferreira, do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UFV, responsável pelo desenvolvimento do Produto à Base de Yacon (PBY), utilizado na pesquisa da Bruna. Esse produto, que já tem uma patente depositada, foi criado a partir do processamento do yacon, um tubérculo conhecido pelos seus baixos teores de gordura e de calorias. Além disso, se configura também como um prebiótico rico em fibras solúveis, conforme explica Maria do Carmo Peluzio, e, portanto, passível de promover o crescimento de bactérias benéficas ao intestino.

Resultados
Para a pesquisa, Bruna alocou os camundongos em três grupos: controle (dieta padrão), probiótico (dieta padrão e probiótico) e simbiótico (dieta padrão com prebiótico – PBY - e probiótico). As dietas foram ofertadas por 13 semanas. Os resultados mostraram que o probiótico e o simbiótico reduziram em 19,6% e 38,1%, respectivamente, a incidência das lesões pré-neoplásicas, comparado ao controle (redução significativa para o simbiótico). No grupo simbiótico, observou-se também um aumento das concentrações dos ácidos graxos de cadeia curta, uma importante fonte de energia para os colonócitos, que são as células do cólon. Segundo Bruna, o simbiótico interferiu no metabolismo da microbiota, aumentando a produção de compostos com atividade anticarcinogênica, como o butirato, que contribuiu para a proliferação das células saudáveis do cólon e melhora da barreira intestinal.

Na avaliação de Bruna Cruz, a pesquisa é mais um passo para se entender o câncer, doença que estuda desde que se formou em Nutrição na UFV, em 2014. Durante dois anos, ela fez residência em Oncologia, no Instituto Nacional de Câncer, no Rio de Janeiro. Os resultados obtidos na pesquisa do mestrado serviram de estímulo para dar continuidade ao estudo. No doutorado, Bruna está pesquisando uma via específica do metabolismo, modulada por ácidos graxos de cadeia curta, que são produzidos pela microbiota intestinal e têm importante papel anti-inflamatório. Em suas observações, Bruna percebeu que o ácido graxo de cadeia curta inibiu a proliferação celular, ajudando na redução da contagem de lesões pré-carcinogênicas.

A pesquisa, que foi realizada com camundongos, terá, como próximo passo, o teste com ser humano. Mas enquanto ele não acontece, o Laboratório de Bioquímica Nutricional segue suas pesquisas com os alimentos funcionais com o objetivo de melhorar a saúde humana. Somente com relação à microbiota intestinal, já foram estudados ali, além do yacon, os extratos de açaí e de folhas de caju e cajuí, o kefir e, mais recentemente, o chá da flor de hibisco. Todas as pesquisas têm o apoio da Fapemig, Capes e CNPq.

O trabalho apresentado no III Congresso Brasileiro de Doenças Funcionais do Aparelho Digestivo também teve a participação dos pesquisadores Luís Fernando de Souza Moraes, Letícia de Nadai Marcon, Kelly Aparecida Dias e Milena Frossard Valente.

 

Adriana Passos
Divulgação Institucional

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