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Pesquisas da UFV contribuem para controle de doenças fúngicas na cultura do trigo

21/08/2017

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Embora grande parte da produção brasileira de trigo ainda esteja concentrada nos três estados da região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), Minas Gerais já se destaca como um dos maiores produtores deste cereal. Para 2017, estima-se que o estado produzirá mais de 200 mil toneladas. Esse número, no entanto, não afasta dos produtores a preocupação com doenças fúngicas que, a qualquer momento, podem atingir a plantação de trigo, duas delas em especial: giberela e brusone. Essa última, segundo o professor Emerson Medeiros Del Ponte, do Departamento de Fitopatologia (DFP), foi descoberta no Brasil, na década de 1980, e se disseminou, em 2016, para a Ásia, onde epidemias severas aconteceram em Bangladesh e, recentemente, na Índia. No Brasil, a brusone ocorre nas regiões de clima tropical como o norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro.

Em ambas as doenças, as espigas - onde se formam os grãos – são infectadas por fungos, podendo reduzir severamente o rendimento da cultura. No caso da giberela, os grãos ficam contaminados com micotoxinas de implicações toxicológicas. Apesar das medidas de controle, que incluem uso de cultivares moderadamente resistentes e aplicação de fungicidas químicos, elas não são suficientes para prevenir as perdas. Por essa razão é que, já há alguns anos, pesquisadores do Laboratório de Epidemiologia de Doenças de Plantas e do Laboratório da Interação Planta-Patógeno (LIPP), do Departamento de Fitopatologia da UFV, vêm estudando essas doenças. O objetivo é garantir o controle delas e, consequentemente, gerar maior rentabilidade aos produtores e segurança aos consumidores. As pesquisas acontecem com a colaboração do Departamento de Fitotecnia em experimentos de campo.

Graças ao reconhecido trabalho e à liderança dos pesquisadores na área, a UFV, juntamente com a Embrapa Trigo e a Universidade de Passo Fundo (RS), ajudou a organizar, no ano passado, um evento conjunto sobre as duas doenças (V International Symposium on Fusarium head blight e II International Workshop on Wheat Blast). O evento aconteceu em Florianópolis (SC) com a participação de mais de 150 pesquisadores de 30 países. Dentre as universidades do Brasil, a UFV levou a maior delegação com 11 pesquisadores, incluindo professores, pós-doutores e pós-graduandos.

A discussão realizada em Florianópolis gerou um número especial da revista da Sociedade Brasileira de Fitopatologia, Tropical Plant Pathology (TPP), publicada no último mês de junho. Coordenada pelo professor Emerson Del Ponte, a edição especial traz 12 artigos de pesquisadores de renome internacional, que poderão ser conferidos gratuitamente, até 23 de agosto, no site da revista. Dentre eles, três são assinados pelos dois laboratório da UFV.

Laboratórios
Vale ressaltar que, desde 2014, o Laboratório de Epidemiologia de Doenças de Plantas, coordenado pelo professor Emerson - transferido, naquele ano, da Universidade Federal de Rio Grande do Sul -, estuda a epidemiologia e o manejo de doenças de cultivos de grãos e cereais, incluindo trigo, cevada, milho, arroz e soja. Ali, os pesquisadores também conduzem projetos em modelagem e previsão de risco de doenças, além de análises estatísticas, como metanálise. A experiência do professor no estudo da giberela do trigo começou no início dos anos 2000, ainda durante o seu doutorado. Os resultados obtidos já renderam a publicação de 30 artigos, a maioria em revistas internacionais. Desde a sua vinda para a UFV, dois estudantes da pós-graduação têm focado suas pesquisas na giberela do trigo, especialmente em resistência do fungo aos fungicidas. Eles realizam metanálise do efeito de fungicidas e epidemiologia da doença sob influência das diferentes espécies do patógeno presentes no Brasil e no ambiente.

Já no Laboratório da Interação Planta-Patógeno, coordenado pelo professor Fabrício de Ávila Rodrigues, as pesquisas com brusone do trigo tiveram início em 2005. Os estudos, financiados pelo CNPq e Fapemig, também são conduzidos por estudantes de mestrado e doutorado dos programas de pós-graduação em Fitopatologia e Fisiologia Vegetal. Os objetivos das pesquisas realizadas no LIPP são elucidar o processo infeccioso do fungo causador da brusone, tanto nas folhas como nas espigas, e saber como ele afeta a fotossíntese. As pesquisas buscam também entender o metabolismo de carboidratos da planta de trigo, o metabolismo antioxidativo de cultivares de trigo com diferentes níveis de resistência basal à brusone e o controle da doença, utilizando a nutrição mineral e a indução de resistência. Os resultados das pesquisas estão registrados em 18 artigos científicos, a maioria publicada, também, em periódicos internacionais.

Na sequência das fotos, registros da delegação no evento de Florianópolis, do qual participaram os professores Fabrício e Emerson (penúltimo e último agachados), e das doenças giberela e brusone (embaixo).

Adriana Passos
Divulgação Institucional

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