Campus Viçosa
05/05/2014
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Um roedor com cauda longa e de ponta branca chamou a atenção de um grupo de pesquisadores na região do Parque Nacional Sempre Vivas, em Diamantina (MG). Estudando melhor o roedor, os cientistas acabaram descobrindo que se tratava não apenas de uma nova espécie, mas também de um novo gênero a ser descrito na taxonomia animal.
A descoberta do Calassomys apicalis, já conhecido como rato de rabo branco, é uma contribuição importante para o conhecimento da fauna brasileira e a preservação da biodiversidade.
Os estudos sobre o roedor foram realizados na UFV pela professora Gisele Lessa Del Giúdice, do Departamento de Biologia Animal. O exemplar foi coletado na região de Diamantina pela equipe da professora Edeltrudes Câmara, da PUC-Minas, em um levantamento da fauna daquela região. Os animais foram encontrados apenas nos afloramentos rochosos existentes no Parque e, até o momento, não se tem notícias da ocorrência em outros locais.
Várias análises foram realizadas até a designação desse novo gênero. Estudos morfológicos de caracteres externos da anatomia de órgãos internos e diversas outras análises técnicas indicaram uma nova categoria para esses animais.
Para a professora Gisele, a raridade do roedor indica o quanto é preciso ter cuidado ostensivo e imediato com o meio ambiente brasileiro: “Esse roedor foi encontrado em uma região de afloramento rupestre, de suma importância para diversas espécies que ali vivem e que, no entanto, vem sendo degradada em diversas regiões do país. A descoberta reforça a importância da criação de parques e demais áreas de preservação no país”.
A descrição do rato do rabo branco em uma área do sudeste brasileiro reforça a ideia de preservação do meio ambiente, pois, segundo a pesquisadora, espécies podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas. Um espécime de Calassomys apicalis está depositado na coleção de mastozoologia do Museu de Zoologia João Moojen, pertencente ao Departamento de Biologia Animal da UFV.
Este não é o primeiro gênero descrito pela professora Gisele. Em 1989, ela descreveu, juntamente com o pesquisador Cástor Cartelle (PUC-MG), um gênero novo para exemplares fósseis de uma ordem de mamíferos extinta há, aproximadamente, 10 mil anos.
Os estudos sobre o Calassomys apicalis foram publicados, em abril, na Journal of Mamalogy. A equipe contou com a colaboração dos pesquisadores Ulyses Pardiñas e Pablo Tet, da Argentina, e Jorge Salazar-Bravo, do México, bem como da professora Tudy Câmara, da PUC/Minas.
(Iago Miranda, bolsista – Foto: Bicho do Mato/Roberto Murta)
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