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Mestrando da UFV lança livro em que conta sua trajetória como boia-fria

01/02/2019

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Das lavouras do café, como boia-fria, para o campus da UFV, como mestrando do Programa de Bioquímica Aplicada. Essa é a trajetória de Adriano Sílvio Neto, contada no Diário de um boia-fria, que acaba de ser publicado.

No livro, escrito pelo próprio Adriano, é narrada a história do menino que ainda aos nove anos começou a trabalhar nas lavouras de café de Matipó (MG), mas não abandonou a leitura e o sonho de se tornar um professor. Como conta o mestrando da UFV, o diário começou a ser escrito em 2007, quando ele estava com 17 anos. A única pretensão que possuía ao escrever sobre o seu cotidiano era compensar a falta dos estudos, já que ele havia concluído o ensino médio e não tinha condições financeiras para ingressar em um curso superior.

Os relatos ficaram guardados, enquanto Adriano alcançava seus objetivos. Conquistou o tão sonhado diploma de ensino superior em Medicina Veterinária, como bolsista integral de uma instituição particular em sua cidade natal. Durante a graduação, destacou-se e, após terminar o curso, foi convidado para lecionar as disciplinas de Bioquímica Clínica Veterinária e Laboratório Clínico Veterinário. Mas para continuar como professor universitário, era preciso se especializar e ir atrás de mais conhecimento. Foi aí que um sonho antigo voltou à tona: estudar na UFV.

De acordo com o ex-boia-fria, quando ainda estudava na Escola Estadual do Bairro Boa Vista, na periferia de Matipó, a professora colocava na parede da sala um cartaz do campus da UFV e ele “sempre sonhava” em estudar naquele lugar, mas achava que era algo “muito distante”. Até que em 2018, decidiu tentar uma vaga no mestrado em Bioquímica Aplicada, participou do processo seletivo e conseguiu ingressar na Universidade, onde atualmente desenvolve pesquisa em Análise Proteômica da lente de caninos com catarata, como bolsista do CNPq.

Com tanta história para contar, após dez anos, Adriano decidiu apresentar o seu diário para editoras em busca de publicação e de que outras pessoas pudessem se motivar com o seu relato. A história despertou o interesse, foi publicada e está disponível neste link. O diário está previsto para ser lançado ainda no dia 22 de fevereiro, na Escola Estadual do Bairro Boa Vista, propositalmente, já que segundo o autor, o “único estímulo” que teve para seguir adiante nos estudos “foi realmente ter frequentado a escola”, uma vez que seus pais são analfabetos e seus familiares achavam que estudar era uma forma de “fugir do trabalho”. Além disso, nada melhor do que promover o lançamento do livro onde Adriano já é uma referência para outros adolescentes.

Apesar do diário ter sido publicado, os sonhos do ex-boia-fria estão longe de terminar. Gostou tanto da UFV que ainda pretende ingressar no doutorado e ser professor da Universidade: “eu não saio daqui depois do doutorado não”, afirma com um sorriso tímido e olhar confiante.

Sabrina Areias
Foto: Daniel Sotto Maior

Divulgação Institucional

Nas fotos, à esq., Adriano, ao centro, com seu tio e prima; e à dir.,o ex-boia-fria no campus da UFV

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