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UFV promove evento sobre potencial da cannabis

05/06/2018

O evento contou com a participação de médicos que já prescrevem o canabidiol

Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores está interessada em cultivar a cannabis para fins científicos na UFV.  A planta, conhecida vulgarmente como maconha, vem sendo utilizada para a fabricação de remédios anticonvulsivantes, sedativos e analgésicos para pacientes portadores de síndromes raras e de doenças de difícil tratamento com terapias tradicionais.

Para reunir interessados em estudar e entender os fins medicinais da planta, o Departamento de Fitotecnia da UFV (DFT) promoveu, dia 24 de maio, o “I Cannabis Coloquium: desenvolvimento, ciência e tecnologia”. Segundo o chefe do DFT, Derly Henriques da Silva, ainda há muitas informações contraditórias sobre a planta e será preciso estudá-la melhor sobre todos os aspectos.  Por isso, o evento também teve como objetivo saber quais as principais demandas para fabricação de produtos medicinais.

Para o professor Derly, o Brasil reúne condições ideais para a produção da cannabis com qualidade para uso terapêutico. “A planta precisa de muito sol, pouca água e altas temperaturas e pode ter cultivo controlado em quase todo o país. Acredito que aqui na UFV nós podemos contribuir com a criação de variedades melhoradas e mostrar como deve ser um cultivo eficiente para obtenção dos óleos essenciais”. A ideia, segundo ele, é desenvolver variedades capazes de produzir maior quantidade de substâncias como o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) que são usadas em medicamentos que têm melhorado muito a qualidade de vida de pacientes, sobretudo de crianças.

Os médicos Luiz Fernando Fonseca e Leandro Ramires participaram do evento relatando que já prescrevem os óleos importados, sobretudo para crianças que têm muitas convulsões ao dia e em adultos com problemas neurológicos e dores agudas. ”As famílias que já conhecem os efeitos benéficos dos medicamentos chegam a comprar a planta na ilegalidade ou importam os óleos de vários países onde a produção dos óleos é legalizada, sem nenhuma segurança. Precisamos de plantas melhoradas e bem produzidas para assegurar tratamentos mais eficientes e estamos confiando na UFV para isso”, disse o neurologista Luiz Fernando Fonseca.

O oncologista Leandro Ramires relatou o caso do seu próprio filho, portador de uma síndrome grave, que é tratado com canabidiol com excelentes resultados. ”Os derivados da cannabis são usados em casos que medicamentos mais conservadores não fazem mais efeito, o que chamamos de compassividade”, disse o médico que também trata com canabidiol doentes com problemas neurodegenerativos em condições mórbidas. Para ele, os pesquisadores precisam vencer o preconceito para criar variedades com boas condições fitossanitárias. “Há famílias que estão obtendo na Justiça o direito de plantar em casa, mas isso não é solução. É preciso regulamentar o plantio sob condições que garantam qualidade do que é produzido. Estamos falando de medicamentos”, disse o médico.

A representante da Anvisa Thais Couto Araújo esclareceu que a produção de cannabis para uso medicinal acontece em vários países. Ela relatou que, no Brasil, tem aumentado muito o número de ações judiciais para regulamentar o plantio controlado e os pedidos de autorização para importação dos medicamentos a base de cannabis. “Já temos mais de 3500 pacientes cadastrados que têm autorização para importação dos medicamentos”, disse ela. Thais Araújo explicou também que o plantio para fins de pesquisas ainda é proibido no Brasil, mas que o interesse de estudiosos e as demandas das famílias com portadores de síndromes raras deverá motivar mudanças na legislação em breve, disse ela durante a palestra na UFV.  

Ainda para o professor Derly Henriques, o evento deixou claro o potencial e o interesse de pesquisadores da UFV em colaborar com a produção de plantas de qualidade para uso farmacológico. “Nós vamos aguardar a regulamentação da Anvisa porque queremos trabalhar na legalidade, disse Derly Henriques. A equipe interessada em cultivar a planta para pesquisas é formada por oito professores e estudantes dos Departamentos de Fitotecnia, Bioquímica, Química, Microbiologia, Medicina e Enfermagem, Direito e Ciências Sociais. 

Para saber mais sobre os usos medicamentosos da cannabis  consulte os sites: Ama+me e Abrace Esperança 

Léa Medeiros

Divulgação Institucional

 

 

 

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