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Professores da Fitopatologia e Entomologia propõem nova abordagem para controle do Aedes aegypti

15/01/2018

Com a chegada do verão no Brasil, volta a preocupação com o crescimento da população de Aedes aegypti (AA) e com as várias doenças transmitidas pelo “mosquito da dengue” – zika, chikungunya e, ainda apenas potencialmente, a febre amarela urbana. Voltam também as campanhas para remoção dos focos potenciais de multiplicação do AA, a circulação do questionado “fumacê” e as matérias jornalísticas sobre o uso de mosquitos estéreis e de outras alternativas para o controle dos insetos.

Todas essas ações sinalizam para a necessidade urgente de novas medidas de controle do AA. Uma delas está sendo proposta no trabalho Entomopathogenic fungi and their potential for the management of Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) in the Americas, que pesquisadores da UFV acabam de publicar na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (MIOC), periódico com o maior impacto na América Latina (IF= 2.6). O artigo é assinado pelos professores Robert Barreto (Departamento de Fitopatologia), Sam Elliot (Departamento de Entomologia) e Harry Evans - pesquisador emérito do CABI International (Reino Unido) e visitante dos departamentos de Entomologia e Fitopatologia.

Apesar de não terem envolvimento anterior com o tema saúde pública ou controle de vetores de doenças, os autores apresentam uma ideia nova para o controle do Aedes aegypti. “Trata-se de uma abordagem simples e elegante”, conforme o professor Robert, “que surpreende, sobretudo por ter sido, até então, inteiramente negligenciada pela comunidade científica e as autoridades de saúde pública nacionais e internacionais”. Ele conta que o trabalho partiu de um “insight” que teve enquanto fazia ginástica na academia e era importunado pelas picadas do mosquito.

O professor Robert explica que o Aedes aegypti é uma espécie africana, introduzida nas Américas durante o tráfico de escravos. Apesar de ter sido erradicada no Brasil no século passado, seu retorno foi avassalador. Segundo ele, as populações do mosquito flutuam ao longo do ano e de um ano para o outro, e podem se tornar enormes, em um claro indício de desequilíbrio. É o que costuma acontecer com uma “espécie exótica invasora”. A conjectura dos autores do artigo publicado na MIOC é que, como acontece com muitas espécies nocivas de plantas, animais e micróbios exóticos, o mosquito teria sido introduzido nas Américas sem os seus “inimigos naturais”, que contribuem para manter as populações de qualquer espécie sob controle nas regiões onde são nativas.

No caso do AA já se sabe, com base em estudos de genética do mosquito, que as populações que invadem as Américas se originaram principalmente do Senegal. O que os autores sugerem, é que se faça uma busca por inimigos naturais do Aedes aegypti - particularmente por fungos parasitas - em ecossistemas daquele país. Esta busca, segundo eles, poderia revelar um ou mais agentes de controle biológico com potencial para serem liberados no Brasil e em outros países da América invadidos pelo AA, para um manejo sustentável e de longo prazo.

O professor Robert ressalta que há muitos casos de sucesso no uso dessa estratégia, chamada de controle biológico clássico, que alcançaram o controle permanente de plantas daninhas e insetos-praga que afetam a agricultura. Para garantir o sucesso, o agente a ser introduzido tem que ser eficaz, específico e seguro. No entanto, lembra que essa opção foi historicamente ignorada como opção de manejo de insetos vetores de doenças de humanos, inclusive de AA.

No artigo da MIOC, os autores mostraram, com um simples exercício de levantamento em Viçosa (Mata do Paraíso), que muitos dípteros, relacionados aos mosquitos, podem ser encontrados mortos e “mofados” nos ambientes florestais - parasitados por fungos especializados em atacar insetos (entomopatogênicos). Por isso, consideram “bastante razoável se esperar que o mesmo ocorra em AA nos ecossistemas naturais do Senegal”. Em função da gravidade dos problemas causados pela invasão por AA, a expectativa dos pesquisadores é a de que o trabalho deles estimule ações das autoridades e da comunidade científica envolvida no controle de AA.

O artigo pode ser conferido no link: http://memorias.ioc.fiocruz.br/issues/accepted-issues/item/6384-0369_entomopathogenic-fungi-and-their-potential-for-the-management-of-aedes-aegypti-diptera-culicidae-in-the-americas.

Divulgação Institucional

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