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Cátedra integra UFV à rede internacional de estudos sobre pedagogia de Paulo Freire

13/11/2017

O professor Romão participou da inauguração da Cátedra, coordenada pelo professor Edgar (dir.)

Desde setembro, a UFV integra, oficialmente, o rol de instituições que contam com uma Cátedra Paulo Freire. Isso significa que, há quase dois meses, a Universidade dispõe de um espaço permanente de reflexão sobre educação na perspectiva daquele que é considerado um dos maiores pensadores da pedagogia no mundo. A criação formal desse espaço veio três anos depois que um grupo de professores da UFV solicitou a concessão da Cátedra, durante a nona edição do Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, realizado em Turim (Itália), em 2014. Da aceitação da proposta – unânime, por sinal - à aprovação do Conselho Universitário (Consu) foram diversos debates para ajustes de um formato que viesse a atender às demandas da instituição.

Uma vez formatada, sua inauguração teve a presença do professor José Eustáquio Romão, presidente do Conselho Mundial dos Institutos Paulo Freire, o mesmo que, em 2014, assinou o ofício autorizando a criação da Cátedra UFV. À frente da coordenação está o professor Edgar Pereira Coelho, do Departamento de Educação (DPE), que explica a Cátedra como um espaço de reinvenção do legado de Paulo Freire na promoção de uma educação emancipadora. “Nosso objetivo é trabalhar com as racionalidades oprimidas”, conta. Segundo ele, no contexto da Cátedra Paulo Freire, também é considerado catedrático aquele que detém um conhecimento popular, que tem autonomia. Foi com base nesse entendimento, inclusive, conforme lembra Edgar Coelho, que nasceu o projeto da Troca de Saberes dentro da Semana do Fazendeiro e vêm sendo articuladas ações do Programa de Extensão Universitária Teia.

O professor explica que, embora tenha sido formalizada no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), esse deverá ser apenas um núcleo da Cátedra, que pretende servir de apoio a docentes e alunos de todas as áreas do conhecimento. Portanto, ressalta: “a Cátedra não é do Departamento de Educação”. Ele conta que, por meio de reuniões quinzenais – que já estão acontecendo - com professores e alunos de graduação e pós-graduação, os objetivos são entender com mais profundidade a obra de Paulo Freire - que tem mais de 40 livros - e produzir artigos científicos.

Outro objetivo, a partir da ideia de reinvenção do legado freiriano, é a criação de comitês. Já foram criados o de mulheres e o de estudos das línguas indígenas, coordenados, respectivamente, pelos professores Bethânia Medeiros Geremias e Willer Araujo Barbosa, ambos do DPE. Os integrantes desse último comitê estão discutindo a criação de uma futura pós-graduação em língua indígena na UFV, a exemplo do que acontece em outras instituições.

Missão
A missão da Cátedra, conforme lembra seu secretário de finanças, o professor Arthur Meucci (DPE), “é contribuir com os oprimidos e oprimidas e fortalecer o pensamento de Freire de que a educação é um ato de amor”. Essa ideia, em sua avaliação, “colabora para a boa relação entre professor e estudante, baseada sobretudo no respeito, tão raro nos dias atuais”. Ainda conforme o professor, a leitura das obras de Paulo Freire exercitam os debates sobre o papel da ética no campo da educação.

O professor Edgar ressalta que são muitas as frentes de atuação que poderão ser trabalhadas por quem já conhece ou tem interesse em conhecer a pedagogia freiriana. Isso inclui técnicos, professores e estudantes da Universidade e das comunidades de Viçosa e região. Ele compartilha da percepção de que, apesar do reconhecimento internacional, as ideias de Paulo Freire – que já foi professor visitante da Universidade de Harvard (Estados Unidos) - ainda são pouco conhecidas ou mal compreendidas no Brasil. Talvez, por isso, acredita, queiram retirar dele o título de Patrono da Educação Brasileira.

Com a inauguração da Cátedra, a UFV passa a integrar oficialmente uma rede que conta com representantes em mais de 90 países. Isso significa a inclusão formal da Universidade em debates internacionais protagonizados pelos mais de 60 institutos Paulo Freire espalhados pelo mundo aos quais as cátedras estão vinculadas. Significa também o credenciamento da instituição para sediar, por exemplo, o Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, que acontece, pelo mundo, a cada dois anos.

Os interessados em fazer parte da Cátedra devem se inscrever nos encontros que estão sendo realizados duas quintas-feiras por mês, a partir das 14h, na sala de reuniões do Departamento de Educação. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3899-2415 ou no site: www.paulofreire.ufv.br

 

Adriana Passos - Foto: Leandro Oliveira
Divulgação Institucional

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